Tebet anuncia saída do governo e entra na corrida ao Senado com aval de Lula em 2026

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), anunciou que deixará o governo federal até o fim de março para disputar as eleições de 2026. A decisão, segundo ela, foi discutida diretamente com o presidente Lula da Silva (PT), que teria sinalizado apoio à sua candidatura ao Senado Federal, considerado hoje uma das principais prioridades eleitorais do Palácio do Planalto.

A saída do ministério atende às exigências da legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização de ministros até seis meses antes do pleito. Tebet afirmou que o prazo final deve ser 30 de março, ou antes, caso Lula antecipe a definição.

“O presidente avalia que eu sou importante no processo eleitoral e entende que a minha candidatura é relevante. Conversamos sobre onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Nada foi imposto”, declarou a ministra após evento em São Paulo.

Senado vira prioridade estratégica

A movimentação de Tebet ocorre em um cenário de intensa disputa pelas cadeiras do Senado. Em 2026, estarão em jogo 54 das 81 vagas da Casa, dois terços do total, o que pode redesenhar o equilíbrio de forças políticas a partir de 2027.

O PT, que hoje conta com nove senadores, terá seis mandatos em fim de ciclo. Já o PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocará sete de suas 15 cadeiras em disputa. Diante desse quadro, Lula passou a atuar pessoalmente para convencer aliados de peso a entrarem na corrida senatorial.

Nesse contexto, Tebet surge como nome estratégico, especialmente após seu papel decisivo no segundo turno de 2022, quando declarou apoio a Lula após ficar em terceiro lugar na disputa presidencial, com cerca de 4,9 milhões de votos.

Domicílio eleitoral em aberto

Embora seja senadora licenciada por Mato Grosso do Sul, Tebet não descartou a possibilidade de mudar o domicílio eleitoral para São Paulo. A ministra, no entanto, evitou cravar qualquer decisão e afirmou que o tema ainda não foi aprofundado com o presidente.

Ela citou que o estado já conta com nomes fortes ligados ao governo, como Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente da República. “Não discutimos cargos, nem mudança partidária, nem governo de São Paulo”, reforçou.

Pressão sobre Haddad e articulações do Planalto

Enquanto Tebet se prepara para deixar o governo, Lula intensifica a pressão sobre Fernando Haddad para que dispute o governo de São Paulo. O PT trata a candidatura como prioridade absoluta, mesmo diante da força do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve tentar a reeleição com altos índices de popularidade e apoio consolidado no interior paulista.

Sem plano alternativo viável, o Palácio do Planalto aposta no sacrifício político de Haddad para manter presença competitiva no maior colégio eleitoral do país.

Outras peças no tabuleiro

Além de Tebet, Lula também convenceu a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. A mudança de planos ocorreu apesar do desejo inicial de Gleisi de buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, e foi interpretada como mais um movimento do presidente para reforçar o campo governista na Casa.

Com a saída anunciada de Tebet e a ofensiva sobre aliados estratégicos, o governo deixa claro que a eleição de 2026 já começou, e que o Senado será o principal campo de batalha política do próximo ciclo eleitoral.

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