Roberta, amiga de Lulinha, afirma que Lula lhe ofereceu cargo no governo

Mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger indicam que ela teria recusado uma oportunidade de ocupar um cargo no governo federal após, segundo seu próprio relato, ter sido questionada pelo presidente Lula da Silva (PT) sobre onde gostaria de trabalhar. Os diálogos, divulgados pela revista Veja, fazem parte de um inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A conversa teria ocorrido em 2024 e foi recuperada pela Polícia Federal após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a quebra do sigilo telemático de Roberta. A partir de informações armazenadas em nuvem, os investigadores passaram a analisar mensagens e documentos relacionados à atuação empresarial da lobista.

Em uma das conversas, Roberta afirma que Lula teria perguntado onde ela gostaria de ficar. A lobista diz que preferiu permanecer em seus negócios com Lulinha e Fernando Bittar.

“Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde você quer ficar”, escreveu Roberta, segundo o conteúdo divulgado.

Na sequência, ela afirma ter respondido que preferia continuar na sociedade com os dois empresários. Em outro trecho, reforça que não ocupava cargo público e que mantinha liberdade para circular e atuar em seus negócios.

PF investiga suposta atuação de Lulinha

As mensagens fazem parte das provas analisadas pela PF em investigações que envolvem suspeitas de tráfico de influência. Segundo reportagens publicadas nesta quinta-feira, 20, a polícia identificou conversas que apontariam para uma atuação coordenada entre Lulinha, Roberta e Fernando Bittar na tentativa de aproximar interesses privados de órgãos da administração pública federal.

Um dos principais pontos da investigação envolve negociações relacionadas à comercialização de medicamentos à base de cannabis. Roberta teria atuado em favor de interesses empresariais ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que também é investigado em diferentes frentes da apuração.

A PF busca esclarecer se Lulinha utilizou sua proximidade com integrantes do governo para facilitar contatos e decisões administrativas em benefício de empresários.

“Fábio não faz nada”, diz mensagem atribuída a Roberta

Em outro diálogo, Roberta descreve a participação de Lulinha nas negociações e afirma que ele deveria evitar exposição direta.

“Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, teria escrito a lobista.

Para os investigadores, as mensagens precisam ser analisadas em conjunto com outros elementos reunidos no inquérito. A apuração considera a possibilidade de que Lulinha tenha funcionado como uma espécie de intermediário nos contatos com integrantes da administração pública.

A defesa do empresário nega as acusações e afirma que ele não possui relação com negócios envolvendo órgãos do governo.

Mensagens mencionam finanças de Lulinha

Os investigadores também encontraram conversas sobre dinheiro e despesas pessoais. Em uma das mensagens atribuídas a Lulinha, ele questiona Roberta sobre a existência de recursos para custear determinadas atividades e afirma que ela seria responsável por administrar suas finanças.

“A gente tem grana pra bancar essas coisas? Você que cuida das minhas finanças”, teria escrito o filho do presidente, conforme a reportagem da Veja.

A PF também analisa pagamentos realizados por empresas ligadas à lobista e busca identificar os eventuais beneficiários finais dos recursos. A investigação aponta ainda para discussões sobre empresas e contas no exterior.

Mudança para Madri aparece nas conversas

A transferência de Lulinha e da família para a Espanha também aparece nas mensagens analisadas pelos investigadores.

Em janeiro de 2025, Roberta teria afirmado que precisava acelerar os negócios antes da mudança do empresário para o exterior. Lulinha posteriormente passou a viver em Madri, onde reside com a mulher e os filhos.

A defesa sustenta que a mudança já estava planejada e nega que tenha relação com as investigações.

Lulinha é alvo de diferentes inquéritos

A apuração sobre o filho do presidente se desdobrou em diferentes investigações. Uma delas trata de suspeitas relacionadas a negócios de cannabis medicinal e ao Ministério da Saúde. Outra apura possível atuação para beneficiar empresários junto à Dataprev. Há ainda uma investigação relacionada a suspeitas de tráfico de influência e eventual vazamento de informações sigilosas.

Nesta quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja enviado à primeira instância. O argumento é que não haveria autoridade com foro privilegiado entre os investigados e que não foram identificadas provas de recebimento de recursos desviados. A decisão sobre o pedido caberá ao ministro André Mendonça.

Defesa nega irregularidades

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, nega que o empresário tenha atuado em negócios relacionados à administração pública e afirma que o cliente sofre suspeitas em razão do sobrenome.

O presidente Lula também não é investigado nesse inquérito. Ao comentar as apurações envolvendo o filho, o presidente afirmou que a Polícia Federal tem liberdade para investigar e que, caso sejam comprovadas irregularidades, Lulinha deverá responder por seus atos.

As mensagens atribuídas a Roberta, portanto, são tratadas pela PF como parte do conjunto de elementos que ainda precisam ser confrontados com documentos, movimentações financeiras e demais provas antes de qualquer conclusão definitiva sobre eventual crime.

Fonte: Clique aqui

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