Raquel Lyra, de delegada da PF a governadora de Pernambuco, conheça sua trajetória

A governadora Raquel Lyra (PSD) chega às eleições em busca de mais quatro anos à frente do governo de Pernambuco. Primeira mulher eleita para comandar o Estado, ela construiu uma trajetória política que passou pela Assembleia Legislativa (AL-PE), pela Prefeitura de Caruaru e, posteriormente, pelo Palácio do Campo das Princesas.

A carreira pública começou antes da entrada na política eleitoral. Formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com pós-graduação em Direito Econômico e de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Raquel também atuou como delegada da Polícia Federal e procuradora do Estado.

A relação com a política pernambucana vem de família. Seu pai, João Lyra Neto, foi prefeito de Caruaru, deputado estadual e vice-governador de Pernambuco. Em 2014, assumiu o governo estadual após a renúncia de Eduardo Campos. O tio Fernando Lyra também teve longa trajetória política, com seis mandatos como deputado federal e passagem pelo Ministério da Justiça durante o governo José Sarney.

Da Procuradoria à Assembleia Legislativa

Antes de chegar às urnas, Raquel ocupou funções ligadas à administração pública. Ainda durante a faculdade, foi aprovada em concurso para o Banco do Nordeste. Depois, ingressou na Polícia Federal como delegada, função que exerceu entre 2002 e 2005.

Na sequência, passou a integrar a Procuradoria-Geral do Estado de Pernambuco. Durante o primeiro governo de Eduardo Campos, comandou a Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do Executivo estadual, experiência que ampliou sua atuação na administração pública.

A estreia eleitoral ocorreu em 2010. Pelo PSB, foi eleita deputada estadual com 49.610 votos. Durante o mandato, presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Assembleia Legislativa e também ocupou a Secretaria da Criança e da Juventude.

Em 2014, conseguiu a reeleição para a Assembleia com 80.879 votos, consolidando sua posição como uma das principais lideranças políticas do interior pernambucano.

Caruaru foi o ponto de virada

Em 2016, Raquel deixou o PSB e ingressou no PSDB para disputar a Prefeitura de Caruaru. Venceu a eleição no primeiro turno, com 53,15% dos votos, tornando-se a primeira mulher a administrar a cidade.

Quatro anos depois, confirmou a força eleitoral no município e foi reeleita novamente no primeiro turno, desta vez com 66,86% dos votos.

A experiência em Caruaru foi fundamental para a construção de sua candidatura ao governo estadual. Em 2022, deixou a prefeitura para disputar o Palácio do Campo das Princesas.

Vitória histórica em 2022

Na primeira disputa pelo governo de Pernambuco, Raquel terminou o primeiro turno na segunda colocação, atrás de Marília Arraes. A eleição foi marcada por um episódio pessoal dramático, a morte do marido, Fernando Lucena, no próprio dia da votação.

No segundo turno, porém, Raquel conseguiu reverter a vantagem da adversária. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), venceu com 58,87% dos votos válidos, contra 41,13% de Marília Arraes. Com o resultado, tornou-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco.

A vitória colocou Raquel no centro da política estadual e consolidou uma liderança construída principalmente no Agreste pernambucano.

Mudança para o PSD

Raquel iniciou o mandato pelo PSDB, mas deixou a legenda e se filiou ao PSD em março de 2025. Na ocasião, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, anunciou que ela também assumiria a presidência estadual da sigla.

A mudança ampliou a estrutura política da governadora. O PSD passou a fortalecer sua presença nos municípios pernambucanos e, posteriormente, chegou a 70 prefeitos filiados no Estado.

O movimento também aproximou a governadora de novas lideranças e aumentou o peso do partido na montagem do projeto eleitoral para 2026.

Apoios para a disputa de 2026

Na preparação para a eleição, Raquel conseguiu ampliar sua base política. Em março de 2026, o União Brasil oficializou apoio à sua candidatura à reeleição, fortalecendo a articulação para a disputa pelo governo estadual.

A vice-governadora Priscila Krause também passou a integrar o PSD e permanece como peça importante do grupo político de Raquel. A movimentação ocorreu durante um processo de expansão da legenda em Pernambuco.

Com uma base municipal ampliada e o apoio de diferentes forças políticas, a governadora tenta transformar a estrutura construída desde a Prefeitura de Caruaru em vantagem para a disputa estadual.

Uma trajetória entre o Direito e a política

A história política de Raquel Lyra combina experiência jurídica, passagem pelo serviço público e sucessivas vitórias eleitorais. Antes de chegar ao governo estadual, ela foi deputada estadual por dois mandatos e prefeita de Caruaru por duas vezes.

O governo de Pernambuco também passou a explorar essa trajetória como marca de sua gestão. Entre as áreas apresentadas como prioridades estão educação, políticas para as mulheres, combate à fome, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e habitação.

Fonte: Clique aqui

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