Especialista cobra reconhecimento da produção intelectual em eventos de grande porte em Salvador
A consultora Tainara Ferreira, que fala em suas redes acerca do letramento racial, criticou o apagamento de influenciadores digitais que abordam cultura e educação por parte das marcas na alta temporada.
Nos últimos dias, o debate sobre a desvalorização dos profissionais criativos de Salvador ganhou força nas redes sociais. Influenciadores digitais como Alesson, Christian Bell e Rafa Moreira criticaram marcas que, ao realizarem festas e ativações na capital baiana, optaram por convidar majoritariamente figuras influentes de fora do Estado, muitas vezes sem qualquer conexão real com a cultura local.
A discussão gerou grande repercussão entre internautas, mas também expôs uma narrativa recorrente: a tentativa de desqualificar criadores locais, generalizando e rotulando-os apenas como “blogueiros” que supostamente não acrescentariam ao movimento artístico e cultural da cidade.
Diante disso, a consultora de relações étnico-raciais e de gênero Tainara Ferreira se posicionou publicamente para rebater essa visão e ampliar o debate. Para ela, há um apagamento sistemático de profissionais que produzem conteúdo com base em educação, cultura, identidade e pensamento crítico, muitos deles comprometidos com uma perspectiva antirracista e decolonial.
Tainara destaca que criadores como ela, Carla Akotirene e Bárbara Carine (Uma Intelectual Diferentona) são exemplos de pessoas que produzem conhecimento consistente, mas seguem à margem desses grandes eventos.
“Existe uma tentativa muito confortável de chamar de ‘blogueiro’ quem está, na verdade, produzindo conhecimento, refletindo sobre todos esses temas importantes de forma acessível. Não somos influenciadores vazios. Somos pessoas que estudam, pesquisam e compartilham isso de maneira prática e lúdica, dialogando diretamente com a realidade do nosso povo”, afirmou.
Segundo a especialista em letramento racial, o problema não está apenas em quem é convidado, mas principalmente em quem é sistematicamente ignorado. Para ela, marcas e eventos ainda reproduzem uma lógica colonial, que valoriza referências externas enquanto invisibiliza quem constrói saberes a partir do território.
“Quando falamos de cultura e educação com uma linguagem antirracista e decolonial, somos deixados de lado porque isso confronta estruturas. Esses profissionais existem, resistem e impactam vidas todos os dias. Ignorá-los é uma escolha política que reforça o apagamento histórico e simbólico da produção intelectual e cultural negra e baiana”, ressaltou.
A fala de Tainara Ferreira reforça a importância de reconhecer criadores de conteúdo que atuam para além do entretenimento, utilizando as redes sociais como ferramentas de educação, preservação cultural e transformação social, em uma cidade marcada pela potência criativa, mas também por profundas desigualdades em vários aspectos.
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