Bahia entra no PNL 2050 com 26 projetos e previsão de bilhões em investimentos

A Bahia foi incluída no Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) com uma carteira de 26 projetos de infraestrutura, distribuídos entre portos, ferrovias, hidrovia e rodovias. A proposta busca ampliar a integração da malha de transportes e fortalecer os corredores utilizados para o escoamento da produção até os principais complexos portuários.

Segundo levantamento sobre os projetos previstos para o estado, são 3 empreendimentos portuários, 6 ferroviários, 1 hidroviário e 16 rodoviários. O desenho segue a estratégia nacional do PNL 2050, que pretende orientar investimentos de longo prazo e integrar diferentes modais de transporte.

O plano foi lançado pelo Governo Federal em agosto e estabelece diretrizes para a infraestrutura de transportes brasileira até 2050. A estratégia considera cargas, passageiros, aspectos territoriais, questões ambientais e climáticas e corredores considerados estratégicos para a economia.

Seis projetos concentram os maiores valores

Entre os empreendimentos destacados para a Bahia estão o Porto Sul, em Ilhéus, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a Hidrovia do São Francisco e intervenções em importantes corredores rodoviários.

Projeto Modal Valor estimado
Porto Sul, Ilhéus Portuário R$ 6,6 bilhões
FIOL, trechos I, II e III Ferroviário R$ 15 bilhões
Hidrovia do São Francisco Hidroviário R$ 6 bilhões
BR-116, trecho norte Rodoviário R$ 8,5 bilhões
BR-324 e BR-116, trecho sul Rodoviário R$ 15,7 bilhões
BR-101, trecho norte Rodoviário R$ 10 bilhões

Somados, os valores estimados para esses seis grandes projetos chegam a R$ 61,8 bilhões. As cifras são projeções associadas à carteira de projetos e não significam, por si só, recursos já contratados ou assegurados para execução imediata.

FIOL e Porto Sul formam corredor estratégico

Um dos principais eixos previstos é a conexão entre a produção do interior da Bahia e o litoral por meio da FIOL e do Porto Sul.

A ferrovia tem papel estratégico no transporte de minério, grãos e outras cargas produzidas no oeste e no sul do estado. A integração com o complexo portuário de Ilhéus pode criar uma alternativa para o escoamento de produtos agrícolas e minerais, além de ampliar a conexão da Bahia com outras regiões produtoras.

O próprio planejamento nacional trabalha com a ideia de corredores de exportação, conectando áreas produtoras aos portos por meio da combinação de rodovias, ferrovias e hidrovias.

Hidrovia do São Francisco também está no plano

Outro projeto de grande porte é a Hidrovia do São Francisco, para a qual são estimados R$ 6 bilhões em intervenções relacionadas à dragagem, sinalização e balizamento do trecho navegável.

A iniciativa se encaixa na estratégia do PNL 2050 de ampliar a participação dos diferentes modais na matriz brasileira. Atualmente, segundo dados apresentados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o transporte rodoviário responde por 54% da movimentação de cargas, enquanto as ferrovias representam 27% e o segmento aquaviário, 19%.

Rodovias concentram grande parte dos projetos

A maior quantidade de projetos baianos está no setor rodoviário. Entre as principais intervenções estão duplicações, requalificações, ampliação de capacidade e melhorias operacionais em corredores que conectam Salvador, Feira de Santana, oeste baiano, norte do estado e regiões próximas às divisas com Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Espírito Santo.

Entre os trechos incluídos estão:

  • BR-324, entre Salvador e Feira de Santana
  • BR-116, entre a divisa com Minas Gerais e Feira de Santana
  • BR-116, entre Feira de Santana e Icó, no Ceará
  • BR-101, entre a BR-324 e Aracaju
  • BR-101, entre a BR-324 e Vitória
  • BR-367, entre Jequitinhonha e Itagimirim
  • BR-020, entre Brasília e Luís Eduardo Magalhães
  • BR-020 e BR-135, entre Barreiras e Corrente
  • BR-242, entre Luís Eduardo Magalhães e a BR-116
  • BA-415, entre Vitória da Conquista e Floresta Azul
  • BR-430, entre Caetité e Bom Jesus da Lapa
  • BR-030, entre Sussuarana e Caetité
  • BR-349, entre Bom Jesus da Lapa e a BR-020

Também estão previstas intervenções em rodovias estaduais e em acessos ao Porto Sul.

Investimentos dependem de concessões e recursos públicos

A carteira do PNL 2050 não significa que todos os projetos serão executados diretamente pelo Governo Federal. O modelo prevê diferentes fontes de financiamento, incluindo concessões, outorgas, investimentos privados, financiamentos de longo prazo e recursos públicos.

No modelo de concessão, empresas vencedoras de leilões assumem obrigações de investimento e manutenção dos ativos durante o período de exploração. Também podem ser utilizados financiamentos de bancos públicos de desenvolvimento e instrumentos como debêntures incentivadas de infraestrutura.

Já os recursos do orçamento federal podem complementar projetos sem viabilidade imediata de concessão, além de financiar estudos, desapropriações, licenciamento e determinadas obras públicas.

Em âmbito nacional, o PNL 2050 estima uma carteira potencial de R$ 1,22 trilhão em investimentos logísticos até 2050, sendo R$ 734,4 bilhões em aportes privados e R$ 490,5 bilhões em recursos públicos.

Plano ainda terá detalhamento 

O PNL 2050 funciona como uma orientação estratégica de longo prazo. O Governo Federal informou que a próxima etapa será o detalhamento dos projetos nos planos setoriais dos diferentes modais, que deverão transformar as diretrizes gerais em iniciativas mais específicas.

A proposta é que o planejamento atravesse mudanças de governo e oscilações econômicas, mantendo uma referência técnica para decisões futuras sobre expansão, manutenção e modernização da infraestrutura brasileira.

Para a Bahia, a inclusão dos 26 projetos coloca infraestrutura e logística no centro de uma estratégia que pode ampliar a conexão entre o interior produtor, os grandes centros consumidores e os portos, com impacto potencial sobre o transporte de cargas, a competitividade e a atração de novos investimentos no estado.

Fonte: Clique aqui

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