duas vagas aumentam risco de votos inválidos e confundem eleitores

A eleição para o Senado volta a ter duas vagas em disputa por estado e pelo Distrito Federal em 2026, repetindo o modelo utilizado pela última vez em 2018. O formato historicamente está associado a um percentual elevado de votos que não são convertidos em escolhas válidas. Naquele pleito, 26,9% dos votos destinados ao Senado não foram contabilizados, contra 18,7% em 2022, quando cada unidade da Federação elegeu apenas um senador.

Levantamento compilado pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), aponta que a diferença entre os dois pleitos supera 40%. Em números absolutos, cerca de 63 milhões de votos não foram aproveitados na disputa de 2018, ante aproximadamente 23 milhões quatro anos depois.

A principal dificuldade está na própria dinâmica da votação. Em 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes ao Senado. Não existe voto de legenda para o cargo, e a votação é nominal, com três dígitos. Caso o eleitor digite apenas o número do partido, o voto será considerado nulo. Se repetir o mesmo candidato nas duas oportunidades, o segundo voto será anulado.

45% ainda não sabem que são duas vagas

A desinformação sobre a regra permanece elevada na reta final da campanha. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que 45% dos entrevistados não sabiam que duas vagas para o Senado estarão em disputa em seus estados.

Entre esse grupo, 29% não souberam responder quantos candidatos deveriam escolher. Outros 10% acreditavam que seria necessário votar em apenas um candidato, enquanto 6% disseram que seriam três escolhas.

A alternância entre eleições com uma e duas vagas contribui para a dificuldade de compreensão. O Senado possui 81 cadeiras, com mandatos de oito anos, e a renovação ocorre de maneira alternada. Em uma eleição são escolhidos 27 senadores, um por estado e pelo Distrito Federal. Na seguinte, são renovadas 54 cadeiras, duas por unidade da Federação.

Votos inválidos podem influenciar disputa

O elevado número de votos brancos, nulos ou incompletos torna a eleição para o Senado particularmente difícil de medir pelas pesquisas. O eleitor pode decidir não preencher uma das duas escolhas ou cometer um erro durante a votação, situações que reduzem o número de votos efetivamente contabilizados para os candidatos.

O caso de 2018 também teve uma particularidade no Rio de Janeiro. Daniel Silveira recebeu mais de 1,5 milhão de votos, mas a votação foi posteriormente anulada em razão de sua inelegibilidade, contribuindo para elevar o volume de votos que não resultaram na eleição de um candidato.

Levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o aproveitamento das duas escolhas ao Senado caiu de 81,1% em 2002 para 77,9% em 2010 e 73,1% em 2018.

Com duas cadeiras novamente em disputa em 2026, a compreensão das regras da urna passa a ter peso ainda maior. O eleitor terá duas oportunidades de escolha, mas deverá indicar candidatos diferentes e observar os números antes de confirmar cada voto.

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