Operação contra Ciro Nogueira une Centrão e reacende pressão por limites a investigações em ano eleitoral

A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), realizada na última quinta-feira (7), provocou reação entre lideranças do Centrão e reacendeu nos bastidores do Congresso Nacional a discussão sobre mecanismos para limitar ações investigativas envolvendo parlamentares.

A quinta fase da Operação Compliance Zero apura suspeitas de atuação do presidente nacional do PP em favor do Banco Master no Congresso. Segundo as investigações, Ciro Nogueira teria apresentado uma emenda elaborada por assessores da instituição financeira ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

De acordo com investigadores, a medida poderia ampliar significativamente os negócios da instituição e gerar impactos no mercado financeiro.

A apuração também aponta supostos repasses mensais que chegariam a R$ 500 mil ao senador, além do custeio de viagens, despesas em restaurantes e negociações empresariais consideradas suspeitas pelos investigadores.

Durante a operação, Ciro Nogueira foi alvo de buscas e apreensões, teve o celular recolhido e ficou proibido de manter contato com outros investigados. Entre eles está o irmão do senador, Raimundo Nogueira, apontado como administrador de empresa da família supostamente utilizada para movimentação dos recursos investigados.

Aliados do parlamentar classificaram a operação como excessiva e afirmaram que houve “violência” na condução das medidas cautelares. Nos bastidores, integrantes do Centrão também alegam existir direcionamento político em ações da Polícia Federal em pleno ano eleitoral.

Em publicação nas redes sociais, Ciro Nogueira afirmou estar “completamente indignado” e sugeriu perseguição política diante de seu desempenho em pesquisas eleitorais.

A operação fortaleceu um movimento dentro do Congresso favorável à criação de mecanismos de controle sobre investigações envolvendo políticos. Parlamentares voltaram a defender propostas semelhantes à chamada “PEC da Blindagem”, aprovada anteriormente na Câmara dos Deputados, mas barrada no Senado após forte repercussão negativa.

A proposta limitava medidas investigativas da Polícia Federal contra deputados e senadores e previa novas regras para operações envolvendo parlamentares.

Nos bastidores, lideranças do Centrão também criticam a ausência de um órgão externo de controle da Polícia Federal, semelhante ao Conselho Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público.

O episódio ainda aumentou a tensão política entre setores do Congresso e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). Integrantes do Centrão afirmam que investigadores estariam ocupando postos estratégicos com atuação considerada politizada.

A ofensiva contra Ciro Nogueira ocorreu poucos dias após outra investigação atingir lideranças influentes do bloco político, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além dos deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Nesse caso, a Polícia Federal apura suspeita de contrabando após o retorno de uma viagem ao Caribe em aeronave particular sem fiscalização de bagagens por auditor da Receita Federal. Os parlamentares negam irregularidades.

O avanço das investigações e a reação articulada do Centrão ampliam o clima de tensão entre Congresso e o governo Lula em meio à corrida eleitoral.

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