História do avô levou um estudante a buscar novas respostas para feridas crônicas

 

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Celebrado hoje (26/06), o Dia Nacional do Diabetes chama atenção para os desafios enfrentados por pessoas que convivem com a condição, entre eles as feridas crônicas que podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes. Foi justamente a partir da experiência de acompanhar o avô lidar com esse problema que Yunes Natal transformou uma preocupação familiar em uma pergunta científica.

Natural de Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, Yunes deixou sua cidade para integrar a primeira turma de Engenharia Biomédica do Ensino Einstein. Ao iniciar sua trajetória na graduação, conheceu o pesquisador e professor da Graduação em Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, Roger Borges, e ingressou em uma oportunidade de iniciação científica em regeneração tecidual. A pesquisa, inicialmente voltada a outras aplicações, ganhou uma nova direção a partir da vivência pessoal do estudante.

“Meu avô tem diabetes e eu sabia que ele sofria muito com problemas de feridas que não cicatrizavam. Então eu queria muito criar uma solução que pudesse auxiliar esses pacientes com feridas crônicas”, conta.

A ideia foi acolhida pelo professor e se tornou uma nova frente de investigação no laboratório. “A ciência começa com uma pergunta. No caso do Yunes, uma experiência pessoal despertou uma inquietação que foi transformada em uma investigação científica. Nosso papel como orientadores é oferecer o ambiente, as ferramentas e o rigor metodológico necessários para que essas perguntas possam ser exploradas de forma estruturada”, afirma Roger Borges.

O caminho percorrido pelo estudante resultou na conquista de uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e deu origem ao estudo “Impressão 3D de scaffolds piezoelétricos associados com fitoterápicos para regeneração de feridas crônicas”. Os scaffolds são estruturas produzidas por impressão 3D que funcionam como uma espécie de suporte para o crescimento das células e para a regeneração dos tecidos.

A pesquisa combina diferentes biomateriais com propriedades capazes de estimular mecanismos relacionados ao processo de cicatrização. Entre os componentes estudados estão materiais piezoelétricos — capazes de transformar estímulos mecânicos em sinais elétricos — e o óleo de semente de uva, que possui compostos já investigados pelo potencial de auxiliar a regeneração tecidual.

No futuro, a expectativa é que esse biomaterial possa dar origem a um produto de aplicação direta na ferida, como um gel ou uma pomada, que, ao ser estimulado por ultrassom, seja capaz de gerar sinais elétricos localizados e estimular respostas celulares relacionadas ao processo de cicatrização.

Atualmente, Yunes concluiu a primeira fase do estudo, que envolveu o desenvolvimento e a caracterização dos biomateriais, incluindo testes realizados com pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e com a Dra. Thais Samed Souza, pesquisadora de pós-doutorado do Einstein e membra do grupo do Prof. Roger Borges, para avaliar as propriedades piezoelétricas das diferentes formulações. Os próximos passos incluem os testes in vitro, que irão avaliar a interação do material com células da pele e seu potencial de aplicação futura.

Para o estudante, a pesquisa representa mais do que uma etapa da graduação: é a possibilidade de transformar uma experiência pessoal em conhecimento científico. “Eu não queria fazer um projeto só para aumentar meu currículo. Eu queria realmente desenvolver algo que tivesse futuro, que tivesse chance de seguir adiante”, afirma.

A trajetória de Yunes também traduz uma das características da Engenharia Biomédica: a possibilidade de conectar diferentes áreas do conhecimento para transformar desafios reais da saúde em novas perguntas científicas. Entre aulas de engenharia, biologia e tecnologia, o estudante encontrou um caminho para unir a curiosidade científica a uma experiência que começou dentro da própria família.

Fonte: Clique aqui

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