Disputa pela sucessão de Messias na AGU expõe guerra de apadrinhamentos no governo Lula
A saída de Jorge Messias da Advocacia-Geral da União (AGU), após ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma nova disputa dentro do governo Lula, uma corrida marcada por pressões políticas, apadrinhamentos de ministros e o peso da representatividade feminina no Planalto. Messias ainda aguarda sabatina no Senado, mas a sucessão na AGU já está em ritmo acelerado nos bastidores.
Apesar da resistência enfrentada por Lula após deixar de nomear uma mulher negra para a vaga aberta no STF, o governo tende a optar agora por uma mulher para suceder Messias na AGU. A decisão é tratada como uma tentativa de reduzir o desgaste com movimentos feministas e do campo negro, que pressionam por maior presença feminina nos espaços estratégicos da Justiça.
Três servidoras de carreira despontam como favoritas. Isadora de Arruda, secretária-geral de Contencioso, surge com força por contar com o aval do próprio Messias. Já Anelize de Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional, tem como principal padrinho o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A procuradora-geral Federal, Adriana Veturini, apesar de sem apadrinhamento político robusto, é vista como nome técnico altamente respeitado, assim como Clarice Calixto.
Ocorre que a disputa está longe de ser restrita às mulheres. Homens também avançam na corrida interna. Rodolfo Cabral, secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação, tem apoios sólidos dentro do PT e da ala política do governo, classificado como uma candidatura competitiva. Já o advogado-geral substituto, Flávio Roman, circula discretamente, mas conta com a simpatia de Messias.
Outro nome de peso que surge nas conversas é o do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius de Carvalho, cuja presença reforça o grau de influência que o cargo de chefe da AGU exerce dentro do governo.
A disputa pela AGU é considerada uma das mais estratégicas no núcleo jurídico do Planalto. Além de ser um posto de absoluta confiança do presidente, o comando da pasta costuma projetar nomes para o STF, trajetória já percorrida por André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e agora por Messias. Caso Lula seja reeleito em 2026, poderá indicar mais três ministros para a Suprema Corte, o que torna a escolha atual ainda mais decisiva.
Outro ponto central pesa na disputa: hoje não há mulheres na mesa que Lula consulta antes de tomar decisões jurídicas. Uma eventual nomeação feminina para a AGU poderia abrir caminho para que novas lideranças ganhem espaço no círculo de influência do presidente, e até mesmo pavimentem uma futura indicação ao próprio Supremo.
A gestão de Jorge Messias, marcada por abertura às mulheres em cargos de comando, fortaleceu ainda mais os nomes que agora brigam por sua sucessão. Adriana Veturini ganhou projeção ao atuar na “revisão da vida toda”, que resultou em economia relevante ao governo. No ano passado, foi indicada para a Corte Permanente de Arbitragem. Já Anelize Almeida se destacou no Supremo com vitórias que garantiram bilhões aos cofres da União, como a limitação de dedução de gastos com educação no IRPF e decisões favoráveis em ações sobre tributação do PIS, Cofins e CPRB.
Em seu terceiro mandato, Lula tem privilegiado homens de confiança nas indicações ao STF, enquanto mulheres avançam em outros tribunais. A escolha do novo, ou nova, chefe da AGU será mais um teste da capacidade do presidente de equilibrar política, pressão social e estratégia jurídica no coração do governo.
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