Com apoio do Estado, Filhos de Gandhy desfila neste domingo de Carnaval | SECOM
O cheiro da alfazema e o encanto do “tapete branco” do Afoxé Filhos de Gandhy tomaram conta do Pelourinho neste domingo (15), quarto dia do Carnaval da Bahia 2026. A agremiação, uma das mais tradicionais de matriz africana na folia da capital, recebe apoio do Programa Ouro Negro, da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA) e leva o tema “Nos caminhos da Comunicação para a Paz” para o desfile no Circuito Osmar.
Trajando a fantasia do bloco, o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, ressaltou a importância simbólica e cultural do Filhos de Gandhy para o Carnaval da Bahia e para a promoção de valores sociais. “Acompanhar o desfile do Filhos de Gandhy é reforçar o compromisso com uma manifestação cultural que representa a paz, o respeito e a valorização das tradições afro-brasileiras. O bloco é uma referência em Salvador e contribui para disseminar uma mensagem de convivência harmoniosa, que dialoga diretamente com o trabalho das forças de segurança na construção de um Carnaval de paz”, destacou.
Já o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, destacou que o Filhos de Gandhy simboliza valores que dialogam diretamente com as políticas públicas de proteção e promoção de direitos implementadas pelo Estado durante o Carnaval. “Esse trabalho cultural se soma às ações do Governo da Bahia que, além do policiamento, investe em prevenção, campanhas de cidadania e estruturas de acolhimento, proteção e inclusão social”, afirmou.
Em 2026, o bloco celebra 77 anos de história. Inspirado nos princípios de não-violência e paz de Mahatma Gandhi, o afoxé reúne cerca de quatro mil associados, exclusivamente homens, muitos deles mantendo uma tradição passada de pai para filho. O servidor público César de Jesus desfila há 30 anos e, pela quarta vez, leva o filho Davi Lucas, de 9 anos, para viver a experiência. “A emoção é grande. Ir num bloco da paz, trazer meu filho. O Gandhy é aquela tradição. É muito bom. Aqui é todo mundo família”.
A religiosidade é marcada pelo som do agogô e pelos cânticos em ijexá, na língua iorubá. O vice-presidente do bloco, Ildo Pedro, ressaltou o significado da tradição. “O nosso tema é comunicação, mas as bandeiras principais que o Gandhy sempre carregou é a paz, contra a intolerância religiosa, discriminação racial. Esse ano nós estamos com uma campanha especial que é a não violência contra as mulheres”, pontuou.
Ouro Negro
Em 2026, o programa Ouro Negro, da Secult-BA, conta com investimento recorde de R$ 17 milhões. Ao todo, 95 projetos de agremiações de matriz africana desfilam em Salvador e outros oito, no interior do estado, fortalecendo blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e de índio, e garantindo a identidade cultural do Carnaval.
Repórter: Anderson Oliveira/GOVBA
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