Deputados tentam levar ilho de Lula à CPMI do INSS e acirra embate com o Planalto

A CPMI do INSS entrou em nova fase de tensão após parlamentares do Partido Novo apresentarem requerimento para convocar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a prestar depoimento no colegiado. Os oposicionistas alegam que informações levantadas nas investigações da chamada “Farra do INSS” apontam para possíveis conexões indiretas entre operadores do esquema e pessoas do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo, por sua vez, acusa a oposição de tentar transformar o caso em palanque político.

O pedido do Novo tem como centro a atuação de Ricardo Bimbo, dirigente nacional do PT, que teria recebido valores considerados suspeitos em operações ligadas a entidades apontadas como intermediárias de recursos do esquema previdenciário. Bimbo, segundo o requerimento, movimentou R$ 120 mil em conta pessoal e outros R$ 8,29 milhões por meio da empresa Datacore, valores repassados pela ADS Soluções e Marketing.

Durante esse período, ele também teria pago um boleto de R$ 10.354,60 em nome de João Muniz Leite, contador responsável pelas contas de Lulinha até ser envolvido na Operação Fim da Linha, do Ministério Público de São Paulo, que investigava lavagem de dinheiro para o PCC. Para a bancada do Novo, esse pagamento cria um “elo indireto” que justificaria a oitiva do filho do presidente.

Oposição quer esclarecer vínculo; governo fala em politização

Os autores do requerimento afirmam que a convocação é necessária para esclarecer se os vínculos profissionais entre Muniz Leite e Lulinha se limitaram a atividades contábeis ou se houve participação em operações suspeitas. Também querem saber se houve prestação de serviços por empresas ligadas ao esquema previdenciário ou se existem outras conexões financeiras ainda não identificadas.

Aliados do governo Lula consideram a iniciativa uma manobra da oposição para desgastar o Planalto. Reforçam que o pagamento citado não estabelece vínculo direto com Fábio Luís e que o requerimento se baseia em interpretações políticas de movimentações já explicadas pelos envolvidos.

CPI tem poderes para avançar sobre dados e depoimentos

Para que Lulinha seja convocado, a maioria dos integrantes da CPMI do INSS precisa aprovar o requerimento. A comissão, com poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, pode solicitar documentos bancários e fiscais, quebrar sigilos, convocar testemunhas e encaminhar indícios de crime ao Ministério Público.

O ambiente é de disputa intensa entre governistas e oposição, que tenta ampliar o escopo das apurações. A tendência é de que o pedido seja usado como termômetro político dentro do colegiado, testando correlação de forças e expondo novos capítulos da guerra narrativa em torno da “Farra do INSS”.

Bastidores da investigação

A reportagem citada no requerimento, publicada em novembro de 2025, sustenta boa parte da argumentação da bancada do Novo, que vê nas movimentações financeiras de Bimbo e na ligação com o ex-contador de Fábio Luís um conjunto de “indícios relevantes”.

Até o momento, o filho do presidente não é formalmente investigado pela comissão. Caso o requerimento avance, sua convocação tende a se tornar mais um ponto de atrito entre Planalto e oposição, em uma CPMI que já extrapola os limites técnicos e se consolidou como mais um campo de batalha política em Brasília.

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..