Alcolumbre reage à indicação de Messias e coloca Lula sob pressão no Senado

A escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal abriu uma das maiores crises políticas entre o presidente Lula da Silva (PT) e o chefe do Congresso, Davi Alcolumbre. O que era para ser mais uma nomeação com maioria garantida transformou-se em um duelo que ameaça romper uma tradição de mais de cem anos: desde 1894 o Senado não rejeita uma indicação ao STF.

A irritação de Alcolumbre explodiu após Lula ignorar a articulação construída no Senado para levar o nome de Rodrigo Pacheco à Corte. O Planalto optou por Messias, cumprindo critérios de fidelidade pessoal que Lula explicitou a ministros do STF em um jantar reservado, onde afirmou que não repetiria “erros do passado”. Para o presidente do Senado, a decisão soou como um rompimento de confiança e uma desconsideração ao seu peso político.

Escalada da tensão

Messias tem currículo robusto: procurador do Banco Central, subchefe jurídica da Presidência, procurador da Fazenda Nacional e atual AGU. Seu problema, porém, não é técnico, é político. Desde o anúncio da indicação, o advogado-geral tenta contato com Alcolumbre: liga, envia mensagens, aciona aliados. Nada. O silêncio é calculado.

O contra-ataque veio rápido: Alcolumbre pautou e aprovou, em velocidade recorde, a regulamentação da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde — medida com impacto bilionário para o governo. Além disso, marcou a sabatina de Messias para 10 de dezembro, dando ao indicado apenas dez dias úteis para buscar votos, numa clara demonstração de má vontade.

Nos bastidores, senadores afirmam que o presidente do Congresso está orientando aliados a não receber o indicado. Aproveitando o clima pós-prisão de Jair Bolsonaro, Alcolumbre trabalha para atrair oposicionistas, aumentando a resistência à aprovação.

Messias busca apoio e encontra bloqueios

Mesmo com padrinhos de peso, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e até o pastor Silas Malafaia —, Messias enfrenta um ambiente hostil. Há quem diga que o verdadeiro objetivo do senador é forçar o governo a negociar cargos e emendas, como fez em 2021 ao segurar por quatro meses a sabatina de André Mendonça.

Agora, porém, o jogo é mais arriscado: Messias tem menos votos garantidos e enfrenta uma operação coordenada para esvaziar sua candidatura.

Planos e interesses em jogo

O conflito também expõe as ambições futuras de Alcolumbre. Detentor de ampla influência sobre cargos estratégicos e sobre a liberação de emendas, ele trabalha para seguir comandando o Congresso na próxima legislatura. Confrontar Lula pode fortalecer sua posição entre senadores, mas também gerar prejuízos caso o Planalto decida revidar.

Na cerimônia de sanção da nova faixa de isenção do Imposto de Renda, Alcolumbre sequer apareceu, limitando-se a divulgar nota genérica exaltando o “diálogo maduro” entre Congresso e governo, frase que, no atual contexto, soa mais como um recado.

A batalha que vem aí

A indicação de Jorge Messias virou teste de sobrevivência política para ambos os lados. Lula tenta mostrar que mantém autoridade sobre sua base e que não cede à pressão do Congresso. Alcolumbre, por sua vez, mede sua capacidade de impor derrotas ao governo e reforçar seu papel de protagonista na sucessão ao STF.

A sabatina do dia 10 promete ser o primeiro round público de uma disputa que já incendiou Brasília. E que pode redefinir o equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo nos próximos meses.

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