Zelensky é pressionado após escândalo de corrupção envolvendo ex-sócio e milhões desviados

O presidente Volodymyr Zelensky enfrenta a crise política mais grave desde o início da guerra contra a Rússia. O Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) deflagrou uma ampla operação em Kiev, atingindo Timur Mindich, ex-sócio e amigo pessoal de Zelensky, em uma investigação que envolve corrupção no setor energético avaliada em US$ 100 milhões.

A ação expôs novamente a sombra da corrupção em torno do governo ucraniano, justamente em um momento em que o país continua a receber bilhões de dólares em ajuda militar e financeira dos Estados Unidos e de nações europeias. Desde 2022, Washington destinou mais de US$ 75 bilhões a Kiev, entre armamentos, assistência econômica e reconstrução. Agora, cresce a pressão internacional para que o governo ucraniano prove que o dinheiro não está alimentando esquemas ilícitos.

Mindich, coproprietário da produtora Kvartal 95 — fundada por Zelensky antes de sua entrada na política —, é acusado de comandar um esquema de propinas na Energoatom, empresa estatal responsável por mais da metade da eletricidade do país. Segundo os investigadores, o grupo teria desviado milhões de dólares por meio de contratos superfaturados e pagamentos ilegais a empreiteiras.

Em uma das residências de Mindich, agentes encontraram um vaso sanitário de ouro e maços de dólares espalhados, símbolos de um luxo escandaloso em meio à devastação da guerra. Poucas horas antes da operação, o empresário fugiu do país, segundo fontes da própria agência anticorrupção.

Esta não é a primeira vez que Zelensky é atingido por suspeitas. No início do ano, ele tentou aprovar uma lei que enfraquecia o NABU, mas recuou após protestos internos e alertas de aliados ocidentais. Agora, vê um ex-parceiro íntimo ser apontado como líder de uma organização criminosa dentro de uma estatal vital para o país.

De acordo com o NABU, funcionários da Energoatom exigiam subornos entre 10% e 15% em contratos públicos, operando uma estrutura paralela de comando. As investigações incluem mais de 1.000 horas de gravações e 70 mandados de busca em todo o território ucraniano.

As revelações chegam em um momento delicado. A União Europeia e os Estados Unidos já haviam condicionado parte do apoio financeiro futuro à transparência e controle de gastos. Com o escândalo, congressistas americanos voltaram a questionar se os bilhões enviados a Kiev têm sido utilizados de forma responsável.

Nas redes sociais, a repercussão foi intensa. Jornalistas e analistas chamaram o caso de “a desgraça pessoal de Zelensky”, lembrando que sua imagem foi construída sobre o discurso anticorrupção que o levou ao poder em 2019.

Em discurso na noite seguinte às revelações, o presidente tentou se distanciar do caso e elogiou a atuação do NABU, sem citar nomes. “Qualquer ação eficaz contra a corrupção é necessária. A punição é imprescindível”, declarou.

Mas, nos bastidores, cresce o temor de que o episódio possa minar a credibilidade de Kiev perante os doadores internacionais — justamente quando a Ucrânia mais depende deles para resistir militarmente à ofensiva russa.

Enquanto isso, o “escândalo Mindich” expõe o dilema de um governo que, após receber bilhões de dólares do Ocidente, agora precisa provar que o dinheiro não desapareceu nas mesmas engrenagens de corrupção que Zelensky prometeu destruir.

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