Eleitor começou a olhar para uma 3ª opção de voto nas eleições

O eleitor brasileiro começou a demonstrar maior abertura para uma terceira opção de voto na corrida presidencial de 2026, segundo análise do CEO do Instituto Nexus, Marcelo Tokarski. A avaliação foi feita após a divulgação da nova pesquisa BTG/Nexus, que mantém o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico em um eventual segundo turno.

Em entrevista ao programa CNN 360º, Tokarski destacou que o movimento aparece principalmente no voto espontâneo, quando o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos. Segundo ele, Lula passou de 38% para 35% nesse indicador, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de uma faixa entre 26% e 27% para 24%.

De acordo com o CEO da Nexus, cerca de 6% dos eleitores que antes declaravam apoio a um dos dois principais nomes passaram a buscar alternativas. Parte migrou para candidatos de terceira via, enquanto outros passaram a declarar voto branco, nulo ou ainda permanecem indecisos.

Apesar do movimento, Tokarski afirmou que nenhum nome fora da polarização entre PT e PL apresentou crescimento expressivo até o momento. Na pesquisa estimulada, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) somaram 18%, avanço considerado dentro da margem de erro em relação ao levantamento anterior.

Disputa segue apertada no segundo turno

Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa, configurando empate técnico. Brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum dos dois somam 8%, enquanto 1% não soube responder.

Segundo Tokarski, o cenário geral permanece estável em comparação com a rodada anterior. No primeiro turno, o levantamento também aponta poucas alterações, mantendo a disputa concentrada nos principais nomes da corrida presidencial.

Abstenção pode ser fator decisivo

Outro ponto destacado pelo CEO da Nexus foi o impacto da participação eleitoral. Segundo ele, quando são considerados apenas eleitores que afirmam ter votado nas eleições anteriores, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro diminui.

Tokarski afirmou que a abstenção pode ter influência relevante no resultado final, principalmente porque parte dos eleitores com menor histórico de comparecimento às urnas tende a estar concentrada em determinados segmentos sociais.

“Se ele chegar na véspera da eleição com uma diferença muito pequena, ele corre risco de ter uma surpresa quando abrirem as urnas por conta do efeito da abstenção eleitoral”, avaliou o CEO da Nexus.

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.003 eleitores entre os dias 10 e 12 de julho, por telefone, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07981/2026.

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