1. Justiça barra 22 candidaturas por suspeita de ligação ao crime organizado; Bahia tem um caso
A Justiça Eleitoral barrou 22 candidaturas nestas eleições por suspeita de ligação com organizações criminosas e grupos paramilitares. As decisões foram tomadas em seis estados, após questionamentos do Ministério Público Eleitoral (MPE), que contestou 42 registros em dez unidades da Federação. A maioria dos processos ainda aguarda julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Rio de Janeiro concentra o maior número de candidaturas barradas, com 13 casos. Também foram registrados indeferimentos na Paraíba (3), no Acre (2), em Mato Grosso do Sul (2), na Bahia (1) e no Amapá (1). Entre os candidatos impedidos, 14 disputavam vagas de deputado estadual, seis de deputado federal e dois de suplente de senador.
O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (6) pelo jornalista Teo Cury, em reportagem publicada no blog da CNN Brasil. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), seis candidatos que tiveram os registros negados conseguiram votação suficiente para conquistar vagas nas Assembleias Legislativas do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul. Como concorreram sub judice, a validade dos votos depende do resultado definitivo dos processos.
Candidatos barrados conseguiram votação expressiva
Entre os casos está o de Jamilson Name (PP-MS), candidato a deputado estadual que recebeu 35,2 mil votos. Ele foi condenado a oito anos de prisão por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. O recurso contra o indeferimento do registro ainda aguarda julgamento no TSE.
No Rio de Janeiro, Diego Alba (PSDB-RJ) recebeu 48,5 mil votos, apesar de ter tido a candidatura rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Ele foi condenado por participação em uma quadrilha armada especializada em assaltos a clientes de instituições bancárias.
Outro caso é o de Renato Machado (PT-RJ), que obteve 48,3 mil votos para deputado estadual. O Ministério Público Eleitoral sustenta que existem provas de sua atuação como líder do núcleo político de um grupo criminoso com presença em Maricá, associado a uma narcomilícia. O candidato aguarda a análise de recurso.
Também aparecem entre os nomes questionados João Drumond (PRD-RJ), apontado pelo Ministério Público como ligado a grupos criminosos e ao jogo do bicho; Ricardo Abrão (PSDB-RJ), alvo de investigação sobre uma suposta estrutura clandestina e armada de compra de votos; e Val Ceasa (PRD-RJ), cuja candidatura foi contestada por suspeita de vínculo com uma facção criminosa armada.
MP Eleitoral também questiona candidaturas autorizadas
Além dos registros negados, o Ministério Público Eleitoral recorreu contra decisões que permitiram a participação de outros candidatos. Um dos casos envolve Márcio Canella (União-RJ), eleito deputado estadual com 197,2 mil votos, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Canella foi preso 11 dias após as eleições. A Polícia Federal apontou suspeitas de que ele atuaria como articulador político de uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Após a prisão, o Ministério Público pediu ao TSE que revisse a decisão que autorizou sua candidatura.
Outro caso envolve Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. O Ministério Público questionou seu registro sob a alegação de possíveis conexões entre uma estrutura político-territorial na Baixada Fluminense e grupos milicianos. As acusações ainda dependem de análise judicial.
Em São Paulo, o MPE também recorreu contra o registro de Ney Santos (Republicanos-SP), candidato a deputado federal. Ele é réu em uma ação penal na qual é acusado de comandar uma organização criminosa e de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A defesa nega a existência de provas que o relacionem a organizações criminosas ou atividades ilícitas.
Entendimento do TSE
Segundo o Ministério Público Eleitoral, o entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral permite barrar candidaturas de pessoas com vínculos comprovados com organizações paramilitares ou grupos criminosos, mesmo sem condenação criminal definitiva.
O argumento tem como fundamento o artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe os partidos políticos de utilizarem organizações paramilitares. Para o Ministério Público, a regra também impede que estruturas criminosas utilizem candidaturas e legendas partidárias para ampliar sua influência nas instituições públicas.
O combate à infiltração do crime organizado na política foi uma das prioridades do Ministério Público Eleitoral em 2026. No início do ano, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, alertou que a influência dessas organizações sobre o processo eleitoral representa uma ameaça à democracia e à legitimidade das instituições.
Para reforçar a fiscalização, o MP Eleitoral criou um grupo de trabalho especializado no enfrentamento ao crime organizado nas eleições. A equipe atua em conjunto com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) e núcleos de inteligência dos Ministérios Públicos Federal e estaduais.
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