Renúncia de vice e avanço do bolsonarismo embaralham sucessão de Fátima Bezerra no RN

A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Rio Grande do Norte, a partir de abril, lançou um obstáculo central ao plano de sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), que pretende deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. Com a recusa formalizada, o estado caminha para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, cenário que fragiliza a estratégia do Palácio Potengi e amplia o espaço de manobra da oposição.

Fátima trabalha para viabilizar o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como herdeiro político do governo. No entanto, sem a posse automática do vice, a Constituição estadual impõe a escolha de um governador-tampão pelos deputados, alguém que comandará o Executivo durante o período eleitoral e poderá influenciar diretamente o processo de outubro.

Assembleia vira campo de batalha

A possibilidade de a Assembleia eleger um nome fora do círculo da governadora é vista com apreensão pelo núcleo petista. O ambiente legislativo não é favorável. O PL, partido que concentra a base bolsonarista no estado e abriga o senador Rogério Marinho, desponta como uma das principais forças da Casa e tende a crescer ainda mais com a janela partidária.

Hoje, PT e PV somam seis cadeiras, o mesmo número do PL. Já União Brasil e PP ocupam três assentos, enquanto o PSDB conta com seis parlamentares. A leitura política no Centro Administrativo é de que, num cenário de eleição indireta, o controle do governo pode escapar das mãos do PT, ainda que de forma temporária.

MDB se afasta do projeto petista

Em nota, Walter Alves confirmou que comunicou à governadora a decisão de não assumir o Executivo e deixou claro o reposicionamento político do MDB no estado. Segundo ele, o partido optou por caminhar ao lado da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além do PSD, sinalizando alinhamento com forças de oposição ao governo estadual.

Ao mesmo tempo, Alves tentou preservar pontes nacionais ao reafirmar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em conversa com dirigentes do MDB e do próprio PT. No plano local, porém, o gesto é interpretado como um duro revés para Fátima Bezerra.

Governo-tampão vira ameaça real

A eleição indireta para um governo-tampão tornou-se o principal fator de instabilidade no tabuleiro potiguar. O escolhido pela Assembleia ficaria no cargo até janeiro e teria poder político e institucional em pleno período de campanha, um trunfo que pode ser decisivo.

O temor do grupo da governadora é que a cadeira seja ocupada por um nome alinhado ao bolsonarismo ou à oposição tradicional, esvaziando a candidatura apoiada pelo PT e impondo uma derrota simbólica após anos de domínio do partido no Executivo estadual.

Espelho no Rio de Janeiro

Situação semelhante se desenha no Rio de Janeiro, onde a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL), também para disputar o Senado, abriu disputa pelo comando interino do estado. Sem vice desde maio, após a saída de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas, a Assembleia fluminense entrou no centro da crise.

A instabilidade se agravou com o afastamento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, alvo de investigação da Polícia Federal. Com isso, a sucessão indireta virou um impasse jurídico e político, reforçando o alerta para o que pode ocorrer no Rio Grande do Norte.

No caso potiguar, a combinação de renúncia do vice, avanço do bolsonarismo na Assembleia e fragmentação da base governista ameaça desmontar o plano de continuidade do PT e transformar a sucessão de Fátima Bezerra em uma disputa aberta, imprevisível e potencialmente desfavorável ao grupo que hoje comanda o estado.

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..