Planalto teme impacto eleitoral após operação da PF contra Jaques Wagner

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, elevou a preocupação no Palácio do Planalto e abriu uma nova frente de desgaste político para o presidente Lula da Silva (PT). Integrantes do governo avaliam que a investigação envolvendo o Banco Master aproximou a crise do núcleo do Executivo e pode enfraquecer a estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, aliados do presidente consideram que a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo tornou-se politicamente difícil após a operação da Polícia Federal. Nos bastidores, a expectativa é que o próprio senador decida deixar a função, evitando que a substituição seja determinada diretamente pelo presidente.

De acordo com relatos de interlocutores do governo, Lula conversou por telefone com Wagner após a operação para prestar solidariedade. O senador afirmou, em entrevista à Band, que recebeu o apoio do presidente e voltou a negar qualquer recebimento de recursos irregulares ligados ao Banco Master.

Apesar da manifestação pública de apoio, ministros e integrantes do governo da Bahia passaram a defender, com o aval do presidente, uma saída negociada da liderança governista. A expectativa é que uma definição ocorra nos próximos dias.

Nos bastidores do Planalto, auxiliares avaliam que as explicações apresentadas por Wagner ainda não foram suficientes para conter o desgaste político. Também houve incômodo com a ampla divulgação das conversas entre o senador e o presidente, considerada por alguns interlocutores como uma exposição desnecessária de Lula.

Outro fator citado por integrantes do governo é que Wagner já vinha enfrentando dificuldades na articulação política. Entre elas, a derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal e o desgaste na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Antes mesmo da operação, Lula já havia questionado Wagner, em reuniões reservadas, sobre notícias envolvendo sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Segundo relatos, o senador afirmou ao presidente que não possuía envolvimento com qualquer irregularidade.

Aliados do governo também sustentam que as relações comerciais sob investigação tiveram origem durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), argumento utilizado por integrantes do PT para diferenciar os episódios.

Após a operação, Wagner afirmou a pessoas próximas que já enfrentou situações semelhantes durante a Operação Lava Jato e demonstrou confiança de que conseguirá esclarecer os fatos. O senador também mencionou que outros políticos investigados no mesmo caso não foram alvo de medidas de busca e apreensão.

A preocupação do Partido dos Trabalhadores vai além dos efeitos internos. Dirigentes avaliam que o caso pode interromper a recuperação de Lula nas pesquisas eleitorais registrada após as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Segundo levantamentos divulgados recentemente, Lula apresentou crescimento nas intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou queda após a divulgação de áudios relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Integrantes do PT temem que a investigação envolvendo Jaques Wagner reduza esse impacto e ofereça munição política ao adversário.

Mesmo diante do cenário, dirigentes petistas afirmam que os dois casos possuem naturezas distintas e garantem que continuarão explorando politicamente o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro. A orientação de Lula permanece sendo a de que todos os investigados apresentem esclarecimentos às autoridades.

Publicamente, o governo mantém discurso de apoio ao senador. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a operação demonstra a autonomia da Polícia Federal para conduzir investigações e defendeu total transparência na apuração.

Na mesma linha, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou confiar que Jaques Wagner comprovará sua inocência durante o andamento das investigações. Já o secretário nacional de Comunicação do partido, Éden Valadares, publicou manifestação nas redes sociais afirmando que o escândalo envolvendo o Banco Master não pode ser equiparado às acusações dirigidas a integrantes da família Bolsonaro.

A nona fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master. Até o momento, Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.

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