Na Globo, Flávio Bolsonaro promete preservar direitos trabalhistas e reajuste real do mínimo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, candidato à Presidencia contra Lula (PT), afirmou, em entrevista à TV Globo, que o apoio ao fim da escala 6×1 foi influenciado pela campanha eleitoral e pela opinião dos trabalhadores que encontrou durante viagens pelo país. O candidato também prometeu manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação, defendeu o fim da reeleição presidencial e foi questionado sobre a viabilidade de suas propostas econômicas.

A entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, abordou ainda a eventual participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em um governo do filho, a relação do presidenciável com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Escala 6×1 e salário mínimo

Flávio afirmou que não pretende reverter o fim da escala 6×1 e justificou a mudança de posição pela receptividade à proposta entre os trabalhadores. O candidato, que anteriormente se opunha à medida, declarou que decidiu votar favoravelmente após ouvir eleitores durante a campanha.

Na área econômica, prometeu preservar a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, a vinculação das aposentadorias ao piso salarial e os investimentos mínimos constitucionais em saúde e educação.

Questionado sobre como pretende promover um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões sem comprometer essas áreas, Flávio citou a redução de dez ministérios e a criação de novas receitas. Entre as possibilidades mencionadas está a exploração de petróleo na Margem Equatorial, cuja produção comercial, segundo as projeções citadas na entrevista, não começaria durante o próximo mandato presidencial.

O senador também reafirmou que não disputará a reeleição, mesmo se o mandato presidencial permanecer com duração de quatro anos.

Jair Bolsonaro e cargos no governo

Sobre a possibilidade de nomear o pai para um cargo em eventual governo, Flávio afirmou que o assunto não está em discussão, mas indicou que pretende buscar seus conselhos. Ele também negou que o irmão Eduardo Bolsonaro assumirá o Ministério das Relações Exteriores.

Ao ser questionado sobre declarações do ex-presidente a respeito de interferências na Polícia Federal, o candidato minimizou o episódio e direcionou críticas ao governo Lula.

Daniel Vorcaro e o filme sobre Bolsonaro

A negociação envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro, também esteve entre os principais temas da entrevista.

Flávio reiterou que os recursos negociados, em um aporte que poderia chegar a R$ 134 milhões, não envolveram contrapartidas relacionadas à sua atuação parlamentar. O senador afirmou que já prestou os esclarecimentos necessários sobre o caso.

Durante a entrevista, Renata Lo Prete comparou a situação com contratos de patrocínio do Banco Master com empresas do Grupo Globo. A jornalista ressaltou diferenças relacionadas à transparência dos contratos e à ausência de vínculo com a linha editorial dos veículos.

Política de armas e segurança pública

O presidenciável também foi questionado sobre uma proposta legislativa para retirar a identificação de munições utilizadas pelas forças de segurança, medida que críticos apontam como um possível facilitador de desvios para o crime organizado.

Flávio minimizou a importância do tema diante dos problemas de segurança pública do país e defendeu maior liberdade para que cidadãos tenham acesso a armas. Também contestou argumentos de que a ampliação do armamento pode contribuir para o aumento da violência.

Durante a conversa, a jornalista chamou a atenção do candidato para respostas que não tratavam diretamente das perguntas formuladas.

STF e possibilidade de impeachment

Flávio defendeu a investigação de ministros do Supremo citados em conversas relacionadas a Vorcaro, para apurar se há elementos que justifiquem processos de impeachment. No entanto, concentrou suas críticas no ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de perseguição política e de atuação partidária.

O candidato afirmou que é necessário proteger a instituição do STF e questionou a conduta de integrantes da Corte. As declarações foram apresentadas no contexto das críticas que mantém ao julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A entrevista ocorreu na reta final da campanha presidencial, em meio à disputa pelo segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O confronto eleitoral tem sido marcado por divergências sobre economia, segurança pública, direitos trabalhistas e o papel das instituições.

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