Marcinho VP alega sofrimento com isolamento e pede autorização para ‘abraçar familiares’
Após quase duas décadas no sistema penitenciário federal, a defesa de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, afirma que o detento mantém a expectativa de reconstruir a vida fora do cárcere e voltar ao convívio familiar. As informações são da coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles.
Considerado uma das principais lideranças do Comando Vermelho, grupo que, segundo relatos, sempre manteve interlocução indireta com a política, Marcinho VP tenta na Justiça autorização para ter contato físico com dois netos, de 3 e 4 anos. O pedido foi negado em primeira instância, mas a defesa recorreu.
No recurso apresentado, os advogados sustentam que o preso mantém “vívida esperança” de retomar a vida em sociedade e que o isolamento prolongado tem causado sofrimento. O documento destaca que o convívio familiar, ainda que breve e supervisionado, poderia contribuir para o processo de reintegração social.
“A expectativa de voltar a ter contato com seus entes queridos é natural, especialmente no caso de filhos e netos”, argumenta a defesa, ao solicitar autorização para um abraço pontual durante visita.
Isolamento total
Os advogados afirmam que a ausência de contato físico ao longo dos anos ultrapassa os limites da pena e impacta também os familiares, citando o princípio da intranscendência da pena. Segundo a petição, permitir um breve contato não representaria risco à segurança do presídio.
A defesa também aponta que Marcinho VP apresenta boa conduta carcerária e que o pedido envolve crianças pequenas, o que reforçaria o caráter humanitário da solicitação.
Histórico e monitoramento
Preso desde os 26 anos, hoje aos 56, Marcinho VP permanece em unidades de segurança máxima desde 2007. Em decisão recente, a Justiça determinou sua permanência no sistema federal por mais três anos, como forma de evitar a comunicação com integrantes da facção e a possível transmissão de ordens criminosas.
Atualmente, ele está custodiado em um presídio federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O recurso da defesa será analisado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
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