Empresário admite fraudes no INSS e firma delação com a Polícia Federal
O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado, firmou nesta quinta-feira (9) acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessou participação em fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social. O caso é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto.
Apontado como um dos principais operadores do esquema, Camisotti negociava o acordo desde o fim de 2025. O material já foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela homologação da delação. A expectativa é que a colaboração possa resultar em benefícios judiciais, como a conversão da prisão preventiva em domiciliar.
A delação marca um novo avanço nas investigações sobre o esquema que envolvia descontos não autorizados em benefícios previdenciários. Para formalizar o acordo, o empresário precisou admitir crimes e apresentar provas, incluindo documentos, registros financeiros e possíveis nomes de outros envolvidos, como dirigentes e agentes públicos.
As apurações indicam que entidades e empresas eram utilizadas como fachada para a prática de fraudes e lavagem de dinheiro. Entre os elementos reunidos pelos investigadores, há indícios de que empresas ligadas a Camisotti receberam repasses milionários de associações sob suspeita, como a Ambec, que teria recebido quase R$ 400 milhões do INSS entre 2023 e 2025.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também apontam movimentações atípicas nas contas do empresário. Somente em saques em dinheiro vivo, foram identificados R$ 7,2 milhões retirados em múltiplas operações, incluindo um saque isolado de R$ 3 milhões. As transações levantaram suspeitas de tentativa de driblar mecanismos de fiscalização.
O escândalo ganhou repercussão nacional após operações conjuntas da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União revelarem um esquema estruturado de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, sem autorização dos beneficiários.
Além de Camisotti, outros nomes já foram atingidos pela investigação. Em desdobramentos recentes, a Justiça determinou novas prisões e medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica por investigados com foro privilegiado, ampliando o alcance do caso.
A delação é considerada estratégica pelas autoridades, já que pode detalhar o funcionamento interno do esquema e identificar novos responsáveis, fortalecendo o processo de responsabilização criminal e administrativa no que já é considerado um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema previdenciário brasileiro.
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