Direita vai às ruas em 27 cidades por domiciliar a Bolsonaro e pressiona STF
Manifestantes ligados a partidos e lideranças da direita ocuparam ruas de ao menos 27 cidades neste domingo (1º) no ato batizado de “Acorda Brasil”, que tem como principal bandeira a defesa da prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mobilização também direciona críticas ao Supremo Tribunal Federal e a ministros citados em apurações recentes envolvendo o Banco Master.
A convocação partiu do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos parlamentares mais influentes nas redes sociais, e do pastor Silas Malafaia, aliado histórico do bolsonarismo. Inicialmente, a pauta incluía ataques diretos ao STF e pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas lideranças do campo conservador ampliaram o foco para incluir a defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Presença de presidenciáveis e clima eleitoral
Na Avenida Paulista, principal palco do ato em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro confirmou presença, reforçando o tom político da manifestação. Pré-candidato ao Planalto, ele dividiu espaço com outros nomes que se movimentam para 2026.
Também marcaram presença o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ambos cotados como alternativas no campo da direita.
Ex-ministros do governo Bolsonaro, como Rogério Marinho e Gilson Machado, além dos deputados Mário Frias, Marcos Feliciano e Gustavo Gayer, engrossaram o coro.
STF e Banco Master entram na pauta
Outro ponto explorado nos discursos foi a investigação da Polícia Federal que mencionou o ministro Dias Toffoli em mensagens extraídas de aparelhos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A citação consta em documento encaminhado ao STF e foi utilizada por manifestantes como argumento para intensificar críticas à Corte.
A estratégia dos organizadores é manter a pressão pública sobre o Judiciário, vinculando o caso às discussões sobre supostas irregularidades e cobrando maior transparência nas investigações.
Atos espalhados pelo país
Além de São Paulo e Brasília, o movimento registrou mobilizações em capitais e cidades como Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Fortaleza, entre outras. A presença em 27 municípios evidencia a tentativa de nacionalizar o debate e demonstrar força política fora do eixo tradicional do bolsonarismo.
Embate institucional ganha novo capítulo
O ato “Acorda Brasil” reforça a estratégia da direita de manter mobilização constante nas ruas enquanto o ex-presidente enfrenta processos judiciais. Ao mesmo tempo, projeta nomes que buscam protagonismo no campo conservador, já mirando o cenário eleitoral de 2026.
Em meio a investigações, decisões do STF e disputas narrativas, o embate institucional segue como pano de fundo de uma polarização que permanece intensa no país.
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