Brics pede calma no Oriente Médio após meses de diplomacia
Os membros do Brics, grupo composto por onze países incluindo o Brasil, pediram calma no Oriente Médio por meio de uma declaração conjunta, emitida no sábado (12) durante uma aguardada cúpula em Nova Delhi.
O bloco expressou “profunda preocupação com a contínua escalada de tensões” na região. “Recordando nossas respectivas posições nacionais, pedimos o exercício da máxima contenção, bem como que sejam evitadas ações que possam agravar ainda mais a situação,” afirmou o texto.
Os outros membros do Brics são Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Em maio, o bloco não chegou a um acordo sobre uma declaração conjunta, uma vez que iranianos, sauditas e emiráticos estavam divididos pela guerra no Oriente Médio, aberta por ataques de Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
Costurada com intensos esforços diplomáticos da Índia, país anfitrião da cúpula deste fim de semana, a declaração também condenou ataques contra infraestrutura civil e “instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas integrais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”.
“As salvaguardas nucleares, a segurança nuclear e a proteção nuclear devem ser sempre mantidas, inclusive em conflitos armados, para proteger as pessoas e o meio ambiente de danos.”
“Polarização e desconfiança”
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou, na abertura da cúpula de dois dias, que a guerra no Oriente Médio “não atende aos interesses comuns da comunidade internacional”, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.
A guerra no Oriente Médio expôs um racha no bloco, com o Irã atacando os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. Além disso, os efeitos do conflito sobre o petróleo, os fertilizantes e a segurança alimentar acertaram em cheio os países do Sul Global.
Também o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, participam da cúpula. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representa o governo brasileiro.
“Observamos o atual contexto global de polarização e desconfiança e incentivamos uma ação global para fortalecer a paz e a segurança internacionais”, diz ainda a declaração conjunta. “Ressaltamos a necessidade de trabalhar juntos para manter o fluxo contínuo do comércio global, das cadeias de suprimentos e da energia, em conformidade com o direito internacional aplicável.”
O Brics foi criado em 2009 como um fórum de grandes economias emergentes que buscavam exercer maior influência em instituições dominadas pelas potências ocidentais.
Segundo o Itamaraty, o bloco é um “foro central para a articulação de posições conjuntas entre países em desenvolvimento, com vistas à construção de uma ordem global mais justa e inclusiva” num “cenário internacional marcado por conflitos armados, pela crise do multilateralismo e por profundos desequilíbrios econômicos e na arquitetura de governança global”.
Tensões entre Índia e China
Outros temas que marcam a cúpula é a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), pauta levantada por Modi e cara ao Brasil, e as disputas na fronteira entre Índia e China.
Os dois países asiáticos se comprometeram a trabalhar por uma resolução neste sábado. A visita de Xi à Índia é a primeira em sete anos, com o objetivo de consolidar o cauteloso descongelamento das relações iniciado após anos de confrontos na fronteira.
A China assumirá a presidência rotativa do Brics no próximo ano e sediará a cúpula anual dos líderes do bloco.
Segundo o presidente chinês, os países membros devem liderar a governança global no ciberespaço, no espaço sideral e nas águas profundas. Isso passa, ele disse neste sábado, por fortalecer a cooperação na área de inteligência artificial (IA), propondo, assim, uma iniciativa para promover a “nova industrialização” por meio desse tipo de tecnologia.
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