Após 23 anos, empresário condenado por matar a esposa é capturado em destino turístico da Bahia
Mais de duas décadas após o assassinato da estilista Fernanda Orfali, a Justiça finalmente alcançou o empresário paulista Sérgio Nahas. Condenado pelo crime cometido em 2002, ele foi localizado e preso no último sábado em Praia do Forte, um dos destinos turísticos mais valorizados do litoral baiano, após ser identificado por câmeras de monitoramento com reconhecimento facial.
Nahas, hoje com 61 anos, estava hospedado em uma acomodação de alto padrão quando foi abordado. A prisão foi confirmada em audiência de custódia, encerrando um longo período em que o empresário respondeu ao processo em liberdade, mesmo após condenação em diferentes instâncias.
O julgamento do caso só ocorreu 16 anos depois do crime. À época, Sérgio Nahas foi condenado por homicídio simples a sete anos de prisão, pena posteriormente aumentada para oito anos e dois meses após recurso da acusação. A defesa insistiu em versões alternativas, alegando que Fernanda Orfali sofria de depressão e teria atentado contra a própria vida, argumento que não prosperou.
Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação. Na sequência, a Justiça de São Paulo determinou a expedição do mandado de prisão e solicitou a inclusão do nome do empresário na lista de difusão vermelha da Interpol, abrindo caminho para sua captura.
A defesa sustenta que Nahas não tinha intenção de se manter foragido, argumentando que ele se mudou para a Bahia, enfrenta problemas de saúde e já é considerado idoso. Ainda assim, a prisão foi cumprida e mantida pelas autoridades.
De acordo com a Polícia Militar da Bahia, no momento da abordagem foram apreendidos pinos de cocaína, aparelhos celulares e um veículo de luxo. O empresário foi encaminhado à Delegacia Territorial e, posteriormente, à Polinter, onde permanece à disposição da Justiça.
O crime ocorreu em setembro de 2002, no apartamento do casal, em Higienópolis, área nobre da capital paulista. Fernanda Orfali, então com 28 anos, foi morta com um tiro no peito. As investigações apontaram que ela teria descoberto o uso de drogas e traições do marido, além de conflitos envolvendo a divisão de bens em um possível divórcio.
A arma utilizada, sem registro, pertencia a Sérgio Nahas. Na época, ele chegou a ficar preso por pouco mais de um mês por posse ilegal, mas foi solto e não voltou à cadeia. Exames periciais descartaram a hipótese de disparo feito pela vítima, contrariando a versão apresentada pelo empresário.
O caso, que antecede a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, volta a expor a morosidade do sistema judicial brasileiro e reforça a percepção de que, muitas vezes, a punição chega tarde. Ainda assim, a prisão reacende o debate sobre impunidade, violência contra a mulher e o uso de tecnologia como ferramenta para garantir o cumprimento das decisões judiciais.
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