Anvisa acende alerta na Bahia após casos de intoxicação por metanol no estado
Casos recentes de intoxicação por metanol registrados na Bahia colocaram novamente o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas no centro das atenções das autoridades sanitárias. O alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça um problema recorrente no país, impulsionado pelo comércio informal, pela adulteração de destilados e pela falta de informação sobre os riscos envolvidos.
O metanol, substância altamente tóxica, não é próprio para consumo humano, mas tem sido usado ilegalmente para baratear ou aumentar o volume de bebidas como cachaça, vodca e uísque falsificados. Ao contrário do etanol, o organismo não consegue metabolizá-lo de forma segura. Após a ingestão, a substância é transformada no fígado em compostos extremamente nocivos, capazes de provocar danos irreversíveis.
Risco silencioso e sintomas graves
Um dos principais perigos da intoxicação por metanol é o atraso na manifestação dos sintomas. Em muitos casos, os sinais aparecem horas depois do consumo, o que dificulta a associação imediata com a bebida ingerida e retarda a busca por atendimento médico. Náuseas, vômitos, dores abdominais, tontura, confusão mental e alterações visuais estão entre os primeiros alertas. Em quadros mais graves, a intoxicação pode evoluir para cegueira permanente, insuficiência renal, convulsões, coma e morte.
Autoridades de saúde destacam que qualquer suspeita de consumo de bebida adulterada associada a esses sintomas exige atendimento de urgência. O tempo de resposta é decisivo para reduzir sequelas e salvar vidas.
Tratamento exige resposta rápida
O protocolo médico para intoxicação por metanol inclui o uso de antídotos específicos, como o fomepizol, que impede a transformação do metanol em substâncias ainda mais tóxicas. Em situações mais graves, o etanol hospitalar pode ser utilizado como alternativa terapêutica, além de medidas de suporte intensivo e hemodiálise para remoção da substância do organismo.
Diante de episódios recentes, hospitais de referência costumam reforçar estoques de antídotos para garantir resposta rápida a possíveis surtos.
Prevenção passa pelo consumo consciente
A Anvisa reforça que a principal forma de prevenção é evitar bebidas de procedência duvidosa. Produtos vendidos sem rótulo, sem selo fiscal ou a preços muito abaixo do mercado representam risco elevado. A orientação é priorizar a compra em estabelecimentos regularizados, verificar lacres de segurança e desconfiar de qualquer alteração na aparência da bebida.
Além disso, guardar comprovantes de compra pode auxiliar ações de vigilância e investigação sanitária em caso de contaminação.
Para especialistas, a recorrência de casos mostra que o combate à intoxicação por metanol vai além da fiscalização. Informação e conscientização são fundamentais para que a população reconheça os riscos, identifique sintomas precocemente e procure ajuda médica o mais rápido possível.
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