BYD entra na lista suja do trabalho escravo no Brasil após denúncias de exploração

O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu a montadora chinesa BYD no cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”. A decisão ocorre após investigações relacionadas a um caso revelado em 2024, envolvendo trabalhadores estrangeiros contratados para atuar no Brasil.

O episódio ganhou repercussão após denúncias de que trabalhadores chineses teriam sido submetidos a práticas abusivas, incluindo retenção de passaportes, contratos restritivos e possível tráfico de pessoas. Até o momento, a empresa não se manifestou oficialmente sobre a inclusão no cadastro.

A chamada lista suja tem impacto direto na reputação das empresas e pode restringir o acesso a financiamentos junto a instituições financeiras no país. Apesar disso, a medida não impede o funcionamento da fábrica da montadora no Brasil, considerada estratégica para a expansão da companhia fora da China.

Segundo as investigações, a contratação dos trabalhadores ocorreu por meio do Jinjiang Group, que intermediou a vinda de 163 pessoas ao país. A empresa nega irregularidades, enquanto a BYD sustenta que não tinha conhecimento das violações até a divulgação das denúncias pela imprensa.

Autoridades brasileiras, no entanto, apontam que a responsabilidade final pelas condições de trabalho recai sobre a montadora, que deveria fiscalizar seus prestadores de serviço.

Relatórios obtidos por agências internacionais indicam que os trabalhadores foram obrigados a entregar seus passaportes, além de autorizar o envio de grande parte dos salários diretamente para a China. Também foi identificado o pagamento de depósitos que só seriam devolvidos após meses de trabalho.

As condições de moradia também foram alvo de críticas. Inspeções encontraram trabalhadores vivendo em alojamentos superlotados, com dezenas de pessoas dividindo espaços reduzidos, sem infraestrutura adequada, o que foi classificado como situação degradante.

O caso provocou repercussão internacional e chegou a impactar o cronograma da fábrica da montadora no Brasil, com atrasos nas obras. Apesar disso, a unidade foi inaugurada posteriormente com a presença do presidente Lula da Silva (PT), em um gesto que simbolizou o fortalecimento das relações entre Brasil e China.

Desde a inauguração, a fábrica já produziu mais de 25 mil veículos, consolidando o país como um dos principais mercados da empresa fora do território chinês.

A inclusão na lista suja reforça o monitoramento das condições de trabalho no país e amplia a pressão por maior controle sobre cadeias produtivas e contratos internacionais, especialmente em setores estratégicos como o da indústria automotiva.

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