Manifestantes incendeiam sede do Partido Comunista de Cuba em meio à crise no país

Manifestantes contrários ao governo cubano incendiaram, na noite de sexta-feira (13), a sede local do Partido Comunista de Cuba (PCC) no município de Morón, localizado na província de Ciego de Ávila, no centro de Cuba.

O episódio ocorreu em meio ao aumento da tensão social na ilha e à crescente pressão contra o regime liderado por Miguel Díaz-Canel.

Frame de vídeo real na sede do partido Comunista de Cuba postado no Facebook – Reprodução

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram manifestantes lançando objetos em chamas contra o prédio do partido, além de invadirem o local e retirarem móveis, quadros e materiais de propaganda política.

Confrontos e relato de disparos

De acordo com registros publicados pelo jornalista Guillermo Rodríguez Sánchez, houve momentos de confronto durante a mobilização.

Segundo testemunhas, um policial teria disparado contra um jovem, que acabou atingido na coxa enquanto estava próximo a uma fogueira montada na rua em frente ao prédio do partido.

Relatos indicam que também foram ouvidos disparos de arma de fogo durante a confusão, o que aumentou ainda mais o clima de tensão no município.

Até o momento, autoridades cubanas não divulgaram um balanço oficial sobre feridos ou detenções relacionadas ao episódio.

Apagões e falta de combustível alimentam revolta

Os protestos acontecem em um momento de grave crise energética e econômica em Cuba.

Nos últimos meses, o país tem enfrentado apagões frequentes em diversas regiões, escassez de gasolina e diesel, dificuldades no abastecimento de gás e falta de produtos básicos.

Em algumas localidades, moradores voltaram a utilizar lenha e carvão para cozinhar, reflexo da deterioração das condições de vida na ilha.

Regime anuncia libertação de presos políticos

Pouco antes do episódio, o governo cubano anunciou a libertação de 51 presos políticos, decisão apresentada como um gesto diplomático em meio às negociações internacionais.

O anúncio foi feito pelo presidente Miguel Díaz-Canel em pronunciamento oficial. Segundo o regime, os detentos escolhidos estariam próximos de concluir suas penas.

As autoridades, no entanto, não divulgaram os nomes dos presos nem os crimes atribuídos a eles, o que gerou questionamentos de organizações de direitos humanos.

Pressão internacional aumenta

A crise em Cuba também está ligada ao endurecimento das relações com os Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump.

Nos últimos meses, Washington adotou medidas para restringir o envio de petróleo venezuelano para a ilha, além de ameaçar sanções contra países que comercializem combustível com Havana.

Autoridades americanas indicaram que mudanças estruturais no sistema político cubano, incluindo eventual transição de poder, seriam condição para qualquer acordo mais amplo.

Vaticano tenta mediar diálogo

Enquanto isso, a Santa Sé tem atuado nos bastidores para tentar reduzir a tensão diplomática.

O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou recentemente que a Igreja Católica iniciou contatos com autoridades cubanas para buscar soluções negociadas para a crise política e econômica.

O cenário, no entanto, permanece incerto, com protestos pontuais e crescente insatisfação popular diante das dificuldades enfrentadas pela população cubana.

Fonte: Clique aqui

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