Lula repete estratégia de Bolsonaro e zera impostos sobre combustíveis em ano eleitoral
A decisão do presidente Lula da Silva (PT) de zerar os tributos federais sobre combustíveis reacendeu o debate político em Brasília. A medida, anunciada a poucos meses do início da campanha eleitoral, segue estratégia semelhante à adotada em 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), quando o governo também reduziu impostos para tentar conter a alta dos preços.
Na prática, o governo federal decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre combustíveis, repetindo um roteiro já visto no último ciclo eleitoral. A iniciativa ocorre em meio à pressão causada pela alta internacional do petróleo e pelo impacto direto no bolso dos consumidores.
Coincidência nas datas chama atenção
O paralelo entre as duas decisões chama atenção inclusive pelas datas. Em 11 de março de 2022, Bolsonaro assinou medidas para zerar impostos federais sobre diesel e gás de cozinha, justificando a ação pela disparada do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Agora, em 12 de março, Lula adotou decisão semelhante, desta vez alegando que os preços foram pressionados pelo cenário internacional envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, fator que elevou a tensão no mercado global de energia.
Assim como ocorreu em 2022, a redução tributária foi anunciada com validade até dezembro, coincidindo com o período eleitoral.
Críticas do PT em 2022 voltam ao debate
A nova medida também trouxe de volta declarações feitas pelo próprio Partido dos Trabalhadores durante o governo Bolsonaro.
Na época, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a redução de impostos era uma tentativa de influenciar o resultado das eleições.
Segundo ele, Bolsonaro teria passado anos sem agir sobre os preços e só teria adotado a medida no período eleitoral.
O PT também divulgou nota oficial classificando a iniciativa como “jogo de cena”, argumentando que a desoneração tinha prazo limitado e não representava uma solução estrutural para o problema dos combustíveis.
Pressão eleitoral no Planalto
A decisão do governo ocorre em um momento de pressão política sobre o Palácio do Planalto, diante de pesquisas que indicam cenário competitivo para a próxima disputa presidencial.
Nos bastidores, aliados de Lula defendem a adoção de medidas com impacto direto na economia popular para melhorar a percepção do governo entre os eleitores.
O sociólogo Alberto Carlos Almeida, que se reuniu recentemente com o presidente, chegou a sugerir ao governo iniciativas com forte apelo popular. Em entrevista ao jornal O Globo, ele citou justamente o episódio de 2022 como referência.
Segundo o analista, Bolsonaro conseguiu melhorar seu desempenho eleitoral após reduzir o preço dos combustíveis naquele ano.
Combustíveis voltam ao centro da disputa política
O novo movimento do governo recoloca os preços dos combustíveis no centro do debate político e econômico, tema que historicamente tem forte impacto nas eleições brasileiras.
Especialistas avaliam que medidas relacionadas à gasolina, diesel e gás de cozinha possuem alto potencial de repercussão eleitoral, especialmente em períodos de inflação e pressão sobre o custo de vida da população.
Com o calendário eleitoral se aproximando, a tendência é que o tema continue sendo usado como instrumento de disputa política entre governo e oposição nos próximos meses.
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