PF aponta repasses milionários a familiares de Daniel Vorcaro e reabre conexões com fundos no caso Banco Master

A Polícia Federal aprofundou o cerco sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao reexaminar perícias antigas que apontam um padrão recorrente de movimentações financeiras envolvendo fundos de investimento e empresas ligadas ao núcleo familiar do banqueiro.

Os achados integram a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro, e reforçam a linha investigativa sobre possível reorganização de fluxos financeiros dentro do ecossistema empresarial associado ao Master.

Engrenagem financeira sob análise

Segundo os investigadores, a reavaliação técnica identificou repasses milionários destinados a empresas administradas por familiares de Vorcaro, além de transferências diretas à conta pessoal do empresário.

A corretora Sefer Investimentos DTVM, antiga Foco DTVM, aparece vinculada a fluxos financeiros direcionados a companhias controladas pelo entorno familiar. A empresa já havia surgido na Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020 para apurar desvios envolvendo fundos municipais de servidores públicos.

Relatórios periciais descrevem uma engrenagem baseada em fundos imobiliários e empresas interligadas para circulação de recursos, dinâmica semelhante à observada no atual caso Master.

R$ 64 milhões e transferências diretas

De acordo com a análise técnica, recursos dos fundos São Domingos e Monte Carlo, então geridos pela Sefer, teriam sido destinados a empresas como Milo Investimentos, Mercatto Incorporações, Inter Participações, Prime Business Participações e SPE Cesto Incorporadora.

Essas companhias, sediadas em Nova Lima, Minas Gerais, constam na Receita Federal sob administração de Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro Zettel, pai e irmã do banqueiro.

A perícia indica que a Milo Investimentos recebeu cerca de R$ 64 milhões dentro dessa cadeia financeira. Já a Mercatto teria sido destinatária de mais de R$ 15 milhões em menos de oito meses.

Além disso, foram identificadas três transferências diretas à conta pessoal de Vorcaro, que somaram aproximadamente R$ 2 milhões em 2017. As operações foram classificadas pelos investigadores como atípicas e incompatíveis com a dinâmica usual declarada.

Caso volta ao STF

As diligências mais recentes foram autorizadas pelo ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria do processo. O caso agora está sob responsabilidade do ministro André Mendonça, no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Investigadores avaliam que o histórico de fundos administrados pela Sefer apresenta dinâmica semelhante à observada com estruturas da Reag, posteriormente liquidada pelo Banco Central, ampliando o escopo da apuração.

Pressão aumenta no mercado financeiro

O avanço das investigações recoloca o Banco Master no centro de uma crise que já provocou forte repercussão no mercado. Para a PF, os elementos técnicos indicam possível utilização de fundos e empresas interligadas para reorganizar fluxos financeiros de forma complexa.

A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre os novos apontamentos.

Nos bastidores de Brasília, o que se comenta é que a nova fase da Compliance Zero não é apenas preventiva, é estratégica.

Fonte: Clique aqui

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