a queda de Maduro expõe vaidade e ruína do ser humano

Nicolás Maduro construiu uma trajetória improvável. Saiu da boleia de um ônibus para ocupar o comando de uma das nações mais ricas do mundo em reservas de petróleo. Teve poder absoluto, controle institucional e recursos abundantes nas mãos. Ainda assim, escolheu não sair. Apegou-se ao cargo, à vaidade, ao orgulho e ao próprio ego. O desfecho veio no sábado (3) e nesta segunda-feira (5) quando o ex-ditador venezuelano se declarou inocente diante de um tribunal em Nova York, onde responde por acusações ligadas ao narcotráfico, ao lado da esposa, Cilia Flores, ex-guerrilheira chavista e figura central do regime.

“Sou inocente. Não sou culpado de nada do que é mencionado aqui. Sou um homem decente”, afirmou Maduro durante a audiência, presidida pelo juiz distrital Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, magistrado experiente e conhecido por conduzir casos de alto impacto. Mesmo diante da Corte americana, Maduro insistiu em sustentar uma narrativa paralela à realidade. Em determinado momento, afirmou que ainda seria o presidente da Venezuela.

A esposa, Cilia Flores, também ouviu formalmente as acusações e se declarou inocente. O advogado dela alegou que a ex-primeira-dama sofreu ferimentos durante a operação que resultou na captura do casal em território venezuelano. Curativos visíveis na cabeça reforçaram o relato apresentado à Justiça, e o juiz autorizou que ambos recebam visita de um representante do consulado venezuelano. Uma nova audiência foi marcada para o dia 17 de março.

Ego no poder, país em colapso

O simbolismo da cena é devastador. Um homem que teve a chance de conduzir um país bilionário em recursos naturais optou por não entregar o poder, mesmo diante do isolamento internacional, do colapso econômico e da crise humanitária. Não saiu quando ainda podia sair. Não negociou uma transição. Apostou na força, no controle e na permanência a qualquer custo. O custo, agora, é pessoal e político.

A recusa em abandonar o governo, segundo críticos, não foi ideológica, mas psicológica. Vaidade, orgulho e a incapacidade de admitir o fim de um ciclo empurraram Maduro e o núcleo duro do chavismo para um caminho sem retorno. O julgamento nos Estados Unidos escancara esse fim.

Rodríguez assume e exalta o passado

Com a ausência de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu o comando interino da Venezuela por determinação da Suprema Corte, com mandato inicial de 90 dias. Em seu discurso de posse, preferiu o confronto à autocrítica. Classificou Maduro e Cilia como “heróis” e falou em “sequestro” promovido pelos Estados Unidos, reforçando a retórica do regime.

Rodríguez, vice-presidente desde 2018 e figura central do chavismo, sinalizou continuidade. Sua ascensão, porém, ocorre em um ambiente de forte instabilidade, isolamento externo e profunda crise de legitimidade. O discurso carregado de simbolismo ideológico contrasta com a imagem concreta que circula pelo mundo, a de um ex-mandatário algemado, julgado ao lado da esposa, longe do poder que se recusou a abandonar.

A história de Maduro deixa uma lição dura. Não foi a falta de recursos que levou o regime ao colapso, mas a insistência em confundir poder com eternidade. Quando a saída é negada por orgulho e ego, a queda costuma ser mais ruidosa. 

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