Brasil desperdiça energia limpa e perde mais de R$ 6 bilhões em um ano
O Brasil encerrou 2025 acumulando um paradoxo difícil de explicar: enquanto se apresenta ao mundo como protagonista da transição energética, desperdiçou mais de R$ 6 bilhões em energia limpa ao longo do ano. O problema decorre do chamado curtailment, fenômeno que limita ou corta a geração de eletricidade renovável por falhas operacionais e estruturais do sistema elétrico nacional.
Ao todo, 20,6% de toda a energia solar e eólica produzida no país em 2025 foi descartada, mesmo com a crescente demanda por fontes limpas e com o Brasil ocupando posição de destaque nos debates globais sobre mudanças climáticas.
Capacidade cresce, sistema não acompanha
O país fechou o ano com cerca de 60 gigawatts de capacidade solar instalada e 33 gigawatts de energia eólica. Ainda assim, a expansão acelerada dessas fontes não foi acompanhada por investimentos equivalentes em transmissão, armazenamento e modernização da infraestrutura elétrica.
O resultado foi o aumento expressivo dos cortes de geração, concentrados principalmente no Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais. A Bahia, apesar de ser o maior produtor de energia renovável do país, sofreu impactos menores em comparação com outros estados.
Recorde negativo expõe falhas de planejamento
Especialistas apontam que o desperdício de energia limpa expõe um problema estrutural grave: o país avançou na geração, mas ignorou gargalos essenciais para garantir eficiência e segurança energética.
O diretor-geral da Volt Robotics, Donato Filho, avalia que o Brasil falhou ao executar apenas parte da estratégia necessária para sustentar a transição energética. Segundo ele, o país desperdiça uma oportunidade histórica justamente no momento em que se coloca como referência internacional no debate climático.
Para Donato, transformar o excesso de energia renovável em vantagem competitiva exige visão de longo prazo, liderança política e decisões estruturais que até agora não foram tomadas.
Alerta para a transição energética
O avanço do curtailment acende um sinal de alerta sobre a capacidade do Brasil de conduzir sua transição energética de forma segura, eficiente e economicamente viável. Sem correções urgentes, o risco é ampliar perdas bilionárias, desestimular investimentos e comprometer a credibilidade do país no cenário internacional.
Enquanto o discurso oficial aposta na imagem de potência verde, os números revelam um sistema despreparado para lidar com a própria abundância de energia limpa. O desperdício bilionário expõe que, sem planejamento e infraestrutura, a transição energética brasileira segue incompleta, e cara.
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