Interpol inclui desembargadora baiana e filho na lista de procurados internacionais
A desembargadora aposentada Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo e seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli Azevedo, foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional de localização e captura de pessoas procuradas pela Justiça. A decisão foi determinada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após a confirmação de que os dois deixaram o Brasil com destino a Lisboa, em Portugal.
A medida está relacionada às condenações impostas pela Corte Especial do STJ no âmbito da Operação Faroeste, investigação que apurou um esquema de venda de decisões judiciais envolvendo disputas de terras no oeste da Bahia.
Sandra Inês foi condenada a 14 anos e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já Vasco recebeu pena de 13 anos e 11 meses de reclusão, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As condenações foram anunciadas em 4 de novembro de 2026.
Indícios de tentativa de fuga
Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), mãe e filho viajaram para Portugal em 21 de setembro, antes da conclusão do julgamento. A Justiça tomou conhecimento da saída do país após receber informações sobre a viagem e constatar dificuldades para localizar os condenados nos endereços informados.
Em outubro, um oficial de Justiça tentou cumprir uma diligência no endereço apresentado pelos dois à Justiça em agosto. No local, o porteiro informou que Sandra Inês nunca havia residido no imóvel.
Durante a diligência, o servidor conseguiu contato telefônico com Vasco, mas o advogado encerrou a ligação depois de ser informado de que a chamada partia de um oficial do STJ.
Para o ministro Og Fernandes, os acontecimentos indicam tentativa de evitar o cumprimento das determinações judiciais e justificam a adoção de medidas para localizar e prender os condenados.
Além da inclusão na lista da Interpol, o ministro autorizou os procedimentos necessários para um eventual pedido de extradição às autoridades portuguesas.
Condenação na Operação Faroeste
O julgamento apontou a participação da ex-magistrada e de seu filho em negociações envolvendo decisões judiciais favoráveis à empresa Bom Jesus Agropecuária, em disputas fundiárias no oeste baiano.
De acordo com o MPF, o esquema envolveu a negociação de vantagens indevidas, com pagamentos que teriam alcançado milhões de reais. A investigação reuniu provas como gravações, movimentações financeiras, mensagens e depoimentos.
A condenação também determinou a perda do cargo público de Sandra Inês, com a cassação de sua aposentadoria compulsória e dos respectivos proventos.
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