EUA pressionam Brasil antes da eleição

A relação entre Estados Unidos e Brasil entrou em uma nova fase de tensão faltando poucos dias para eleições. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado ao governo federal, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, classificou como crítico o nível de pressão e o risco de influência americana sobre o processo eleitoral brasileiro.

O alerta ocorre após o governo de Donald Trump ampliar medidas de pressão contra o Brasil e defender publicamente uma visão de maior influência dos Estados Unidos no hemisfério. Em agosto, o Departamento de Estado divulgou um vídeo apresentado pelo embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, sobre a Doutrina Monroe, apresentada como um princípio histórico de atuação de Washington nas Américas. O material também associou a doutrina ao atual governo americano.

O episódio repercutiu no Brasil em meio à disputa entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, na terça-feira (22), Lula defendeu a soberania brasileira e criticou o que chamou de “ingerência externa em processos eleitorais”, além de afirmar que o Brasil não pertence à esfera de influência de nenhum outro país.

Pressão sobre o processo eleitoral

Segundo informações divulgadas pela Folha, o relatório da Abin aponta uma intensificação das ações americanas no contexto das eleições de 2026. Entre os episódios citados estão tarifas comerciais, sanções contra autoridades brasileiras e pressões relacionadas a questões políticas internas.

A possibilidade de influência externa também passou a ser discutida por parlamentares e analistas nos Estados Unidos. A deputada americana Pramila Jayapal, do Partido Democrata, afirmou à Folha que há preocupação com tentativas do governo Trump de influenciar o processo eleitoral brasileiro e defendeu que eventual resultado das urnas seja respeitado.

Especialistas ouvidos pela Deutsche Welle avaliam que a atuação americana pode ganhar intensidade à medida que a eleição se aproxima. O professor Oliver Stuenkel, da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que o padrão adotado pelo governo Trump tem privilegiado pressões públicas e ações de última hora, embora os efeitos de uma eventual intervenção sobre o cenário brasileiro ainda sejam incertos.

Debate sobre soberania

O histórico de interferências eleitorais dos Estados Unidos também voltou ao centro do debate. Segundo levantamento citado pelo pesquisador Dov H. Levin, Washington atuou para influenciar 128 eleições em diferentes países entre 1946 e 2014, sendo 39 delas na América Latina. 

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