OMS rebate Trump e alerta sobre mudanças na vacinação infantil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reagiu nesta quarta-feira (12) às mudanças defendidas pelo governo dos Estados Unidos para a política de vacinação infantil e afirmou que alterações no calendário devem estar alinhadas às evidências científicas disponíveis. O posicionamento ocorre após novas medidas da administração de Donald Trump (Republicano-EUA) para revisar as recomendações de imunização de crianças.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que as evidências científicas sobre a segurança das vacinas são consistentes e que não existe relação causal entre vacinação e autismo. Uma revisão publicada pela própria organização reúne estudos e análises que não encontraram associação entre vacinas e transtorno do espectro autista.

A manifestação da entidade ocorre em meio à discussão nos Estados Unidos sobre a redução ou reorganização das doses recomendadas durante a infância. Uma ordem executiva publicada pelo governo norte-americano determinou uma revisão das recomendações nacionais de vacinas infantis, com comparação entre o calendário dos Estados Unidos e o adotado por outros países desenvolvidos.

Trump volta a questionar política de vacinação

Trump tem defendido mudanças no programa de imunização infantil e, ao tratar do tema, voltou a mencionar uma suposta ligação entre vacinas e autismo. A associação, porém, não é sustentada pelo conjunto de evidências científicas disponíveis.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também registra que estudos científicos e avaliações de segurança não demonstram relação causal entre a vacina tríplice viral, conhecida como MMR, e o autismo.

A controvérsia ganhou força com a atuação do secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona a segurança de determinados imunizantes e passou a defender alterações no calendário de vacinação após assumir o cargo.

Surto de sarampo aumenta preocupação

A discussão ocorre enquanto os Estados Unidos enfrentam um aumento expressivo dos casos de sarampo. Dados atualizados pelo CDC apontam 2.465 casos confirmados de sarampo em 2026 até 6 de agosto, sendo 2.449 registrados em 47 jurisdições e outros 16 entre visitantes internacionais. Segundo a agência, 94% dos casos confirmados estavam associados a surtos.

O cenário preocupa autoridades de saúde porque o sarampo é uma doença altamente contagiosa e a vacinação com duas doses da MMR é considerada uma das principais medidas para impedir a transmissão. O próprio CDC aponta que a queda na cobertura vacinal aumenta o risco de surtos maiores.

Ao contestar as mudanças propostas pelo governo norte-americano, a OMS reforçou que as vacinas continuam entre as ferramentas mais importantes de prevenção de doenças infecciosas graves.

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