José Múcio diz que “abriria o portão” em caso de invasão dos EUA e defende mais investimentos na Defesa
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta terça-feira (4) que o Brasil não teria capacidade militar para enfrentar uma eventual invasão dos Estados Unidos. A declaração foi dada durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, onde defendeu o aumento dos investimentos federais nas Forças Armadas.
Ao responder a um questionamento sobre um cenário hipotético envolvendo uma possível invasão norte-americana, Múcio afirmou que “abriria o portão”, explicando que o país não dispõe de equipamentos militares suficientes para enfrentar uma potência como os Estados Unidos.
“Eu vejo os jornalistas o tempo todo perguntando: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abro o portão. Porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, declarou.
Na sequência, o ministro explicou que a comparação teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ampliar os investimentos na área de Defesa. Segundo ele, o Brasil destina aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, percentual considerado insuficiente para modernizar e reequipar as Forças Armadas.
José Múcio ressaltou que investir em Defesa não significa preparar o país para conflitos. Segundo o ministro, a política deve ser encarada como uma forma de prevenção.
“Investir em Defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, afirmou.
As declarações ocorreram em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nas últimas semanas, os dois países acumularam episódios de atrito. O governo norte-americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, prorrogou por mais um ano a emergência nacional relacionada ao Brasil e, nesta terça-feira, revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada como resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao indicado para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O episódio ocorreu poucos dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas norte-americanos que pretendiam viajar ao Brasil.
O evento da CNI teve como tema a descarbonização do transporte marítimo e reuniu representantes do governo federal, da indústria e do setor naval. Além de José Múcio, participou do encontro o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen.
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