PF diz que dinheiro desviado do INSS pagou cirurgia de esposa de investigado

A Polícia Federal concluiu nesta terça-feira (14) que recursos desviados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram utilizados para custear despesas particulares e de alto padrão de integrantes do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Entre os gastos identificados pelos investigadores está o pagamento de uma cirurgia plástica da esposa do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.

As conclusões constam do relatório final do primeiro inquérito da operação, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso. No documento, a PF afirma que o procedimento estético realizado por Bruna Braz de Souza Santos foi pago por meio da empresa Santos Consultoria, apontada como integrante da estrutura financeira utilizada para movimentar recursos provenientes dos descontos associativos considerados irregulares.

Segundo a investigação, mensagens extraídas dos celulares dos investigados reforçam a suspeita. Em uma conversa datada de 16 de novembro de 2021, a secretária do médico responsável pelo procedimento encaminha informações sobre a cirurgia à esposa de Carlos Roberto Ferreira Lopes. Na sequência, Bruna envia um comprovante de pagamento que, de acordo com a PF, foi quitado com recursos administrados pelo operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos.

PF aponta estrutura para custear despesas pessoais

De acordo com o relatório, a Polícia Federal identificou um suposto esquema de pulverização dos valores obtidos por meio dos descontos em benefícios previdenciários. Os recursos passariam por empresas ligadas aos operadores financeiros antes de serem utilizados para despesas da família investigada.

Entre as empresas citadas pela investigação estão Santos Consultoria, To Hire Cars, Solution, Impacto e MN Apoio Administrativo. Conforme a PF, essas companhias funcionariam como uma espécie de “conta corrente unificada” para pagamento de despesas particulares.

Ainda segundo o relatório, essa estrutura financeira teria sido utilizada para quitar boletos escolares, passagens aéreas, salários e o procedimento estético realizado por Bruna Braz de Souza Santos.

A quebra de sigilo bancário também apontou, conforme os investigadores, que ela recebeu diretamente mais de R$ 1,75 milhão oriundos de contas controladas pelos operadores financeiros do esquema. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam, em tese, a prática de lavagem de dinheiro e o emprego de recursos desviados para financiar gastos pessoais.

Investigados foram indiciados

Carlos Roberto Ferreira Lopes e Bruna Braz de Souza Santos estão entre os 48 indiciados pela Polícia Federal no primeiro relatório conclusivo da Operação Sem Desconto.

Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o material encaminhado pela PF e decidir se apresentará denúncia criminal ao Supremo Tribunal Federal.

Conafer contesta investigação

Em nota, a Conafer afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, mas ressaltou que o indiciamento representa apenas uma etapa da investigação e não significa condenação.

A entidade informou que sua defesa analisará integralmente o relatório assim que tiver acesso completo aos autos e apresentará as manifestações jurídicas, documentais e técnicas que considerar necessárias.

A Conafer também afirmou que considera inadequada qualquer tentativa de transformar a fase investigativa em condenação antecipada e defendeu que eventuais acusações sejam analisadas de forma individualizada, com base em provas produzidas dentro do devido processo legal.

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..