‘Nunca fui tão humilhado’: comissário vítima de racismo fala pela 1ª vez
‘Nunca fui tão humilhado’: comissário vítima de racismo em voo fala pela 1ª vez
Um comissário de bordo brasileiro se manifestou neste domingo (24) sobre as ofensas que sofreu de um passageiro chileno, afirmando que nunca havia passado por insultos tão graves como os que foi alvo durante o voo entre Brasil e Alemanha. “Eu nunca sofri tamanho achaque, tamanha humilhação. Eu fui aviltado, eu fui violado”, disse a vítima em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record.
As agressões, que aconteceram na sexta-feira (10), foram feitas por um passageiro chileno por meio de comentários racistas, homofóbicos e imitações. O agressor chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que era um problema o funcionário ser gay. O comissário segue afastado desde o episódio de violência. “Ele cometeu três crimes contra mim, que foram atrozes, que machucaram, que ferem a alma.”
A defesa do autor das agressões alega que seu cliente faz tratamento psiquiátrico, foi internado em 2013 e passa por estado de vulnerabilidade após a morte de seu irmão. Ele também contou que havia bebido no dia do voo e estava completamente desorientado. O chileno está preso preventivamente no Brasil desde que tentou voltar de Frankfurt após as ofensas, mas tenta pedido de transferência para unidade clínica.
O caso
As ofensas aconteceram três horas após a decolagem do avião do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Frankfurt, na Alemanha, e escala em Santiago, no Chile. De acordo com a vítima, as agressões começaram após ele tentar intervir ao ver o agressor discutir com outra comissária e tentar forçar a abertura de uma porta do avião.
Ele conta que, quando percebeu, o chileno já estava com a mão na alavanca de porta, e se colocou entre a passagem e o homem, momento em que começaram os ataques racistas, xenofóbicos e homofóbicos. Conforme o comissário, as ofensas se estenderam até que o agressor aceitasse retornar ao seu lugar.
Ao voltar para o Brasil, a vítima denunciou o caso à Polícia Federal (PF), que prendeu o homem quando ele retornava da Alemanha e fez escala em São Paulo antes de embarcar para a capital do Chile na sexta-feira (15). Segundo a PF, ele foi preso por injúria racial e homofóbica aos tripulantes do voo. “Após a comunicação formal das vítimas à Polícia Federal, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil”.
*com informações do Estadão Conteúdo
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