Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro sobre sustentabilidade e força feminina
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Catadoras de materiais recicláveis, que representam 70% da força de trabalho dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor no Brasil, segundo o Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Recicláveis (MNCR), ganham protagonismo no mês em que é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem (17/5). O livro Mulheres que Reciclam o Futuro dá voz e rosto a 25 trabalhadoras de diferentes estados do país, reunindo histórias de coragem, superação e resiliência, marcadas por um trabalho articulado em torno do cuidado e da preservação, que reinventam suas próprias vidas e os territórios onde atuam.
A publicação aborda os desafios enfrentados por essas mulheres e reforça o papel da reciclagem como motor essencial para a economia e o meio ambiente. Realizada pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis via Lei de Incentivo à Cultura, a obra será lançada no dia 20 de maio, em Brasília, e poderá ser baixada gratuitamente no site Rede Educare ou adquirida em versão física.
A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentáveis. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.
A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.
“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.
“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha.
Vidas transformadas – Uma das histórias retratadas é a de Elizabeth dos Santos Santana, conhecida como Chiquinha, que teve a vida transformada pela reciclagem. Mãe de três filhos e com os estudos interrompidos ainda no ensino fundamental, ela encontrou no antigo lixão de Jacobina, na Bahia, em 2009, uma alternativa de sustento que mudaria seu destino. Participou da fundação da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Jacobina, onde assumiu o cargo de tesoureira e foi eleita duas vezes presidente, tornando-se referência dentro e fora da Bahia.
O livro também retrata a trajetória de Dulce Vale, de Goiânia, que iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.
De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.
SERVIÇO
LIVRO “Mulheres que Reciclam o Futuro”
Lançamento oficial: 20/5 – Salão Nobre da Câmara dos Deputados I 11h30 I Brasília
Onde fazer download gratuita:
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